quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fome

Esteve um daqueles dias de praia épicos, numa das prainhas selvagens de Porto Côvo, quase sem gente. Enquanto caminhava sorrateiro em direcção à costa só via casas e vivendas de estore fechado, num dia tórrido destes imagino como estaria Lisboa, que é sempre mais quente do que qualquer local da costa sul até Sagres. Enfim, o mundo está lá, inclusivé a minha casa, está lá, ficou. Os barcos gigantescos que se vêem daqui na costa de Sines também estão lá, e mesmo a milhas parecem do tamanho desta aldeia. Adiante. 
Na praia gosto de ficar a olhar para o mar sem pensar em nada, tenho aquele fio do sol até ao horizonte, tenho o som do mar e das ondas a baterem à costa e nas rochas, tenho em frente um cão feliz da vida a nadar na água por causa de uma bola. Ando a ler o "Fome" do Knut Hamsun, é do melhor que li em anos, mas faz contraste com tudo isto, ler o “Fome” e mandar todo o stress para trás das costas? Aqui? Talvez o “Pan” fosse mais adequado para torrar na areia, mas não sou bom a planear leituras para circunstâncias, tenho uma filosofia curta e grossa, a andar...Deu-me para reparar que a cor da toalha de praia é exactamente igual à capa do livro. E não só a cor como as próprias tonalidades do verde e azul. Não sei qual é a ideia. A não ser não contrastar nada.