sábado, 29 de outubro de 2011

Meio tempo sem tempo


- Não desgostei da entrada deste Outono, de pensar que a semana passada andava de t-shirt ou camisa. Deixa a ideia que este mau tempo acaba tarda nada. Que para a semana volto à t-shirt outra vez. 

- Confiança. Alegria. Espírito. Entreajuda. Fúria. Talento. Entusiasmo. Humildade. Sacrifício. Superação. Coragem. Domingos Paciência. Capel. Van Wolfswinkel. Rinaudo. Schaars. Insúa. Elias.  Carrillo. João Pereira. Rui Patrício. Capitão América. (Este) Polga. Matias Fernandez. Bojinov. Esforço, Dedicação, Devoção e Glória, eis o Sporting como devia ser sempre...

- A escrita desmente qualquer esquema, qualquer escolha pré-concebida, põe reservas, diz que não pode. Onde anda a consistência, pergunta, vai mas é escrever...

- Dou um ano a este Governo. Tenho dito e reafirmo. Pena não haver casas de apostas para isso.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Lisboeta Alentejano Angolano das Beiras


Tenho essa coisa de me sentir às vezes estranho na minha cidade. Costumo guardar chatices num compartimento, com todos os cuidados, as complicações maiores quero-as metidas numa caixa que acaba invariavelmente a rebentar pelas costuras ameaçando atacar um dia enquanto durmo. Costumo dizer a uma amiga: “não compliques, as coisas já são suficientemente complicadas”, ao que ela traduz suficientemente por excessivamente e as minhas palavras acabam desvalorizadas como a moeda do Zimbabwe.
Sinto-me estranho pela secura de quem prefere ser um retrato da “Canção de Lisboa”. Tentando amiúde arranjar explicações, a ascendência não me deixa mentir: lisboeta de segunda geração porque só a mãe é daqui, os avós maternos nasceram no Cercal e São Luis respectivamente - com ascendentes perdidos séculos adentro - meu pai nasceu em Angola, minha avó idem, avô paterno de Ovar, bisavós paternos da Sertã... 
Quando não estou frio sou bem capaz de misturar calor africano com tá-se bem alentejano.  Essa coisa do amor desmedido a Lisboa é que não me funciona. Gosto da cidade sim, identifico-me até com o rapaz de Lisboa de Jorge Silva Melo. Mas existem muitos mas. Além de Lisboa ser muito benfiquista e eu sou do Sporting, de Portugal.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O som do tijolo

Fico fora de mim com som foleiro aos altos berros. Tipos de vidro aberto nos carros, alguns do tunning, dementes dos decibéis, deviam ser internados. No meu bairro existe uma versão pitoresca e soft da coisa, mistura rádio tijolo com bicicleta, chamam-lhe o Biker do Tijolo. É popular, tido como típico, há quem o ache um símbolo, turístico até.
Tento evitá-lo por causa das embirrações, o que é impossível quando me surge logo ao virar da esquina. Uma vez, irritado, fiz questão de olhá-lo forte nos olhos. Ele não se ficou e encarou-me assim um bocado à cão de fila. Contei  ao meu irmão que me respondeu: “ele vira-se, não sabias disso?
E com razão, se o som do tijolo o faz tão feliz e realizado quem sou eu para contrariar? Depois ao ritmo a que isto anda, qualquer dia ainda o temos entre os nossos famosos. Arranjem-lhe um concurso, um programa, uma rúbrica, uma peça jornalística. Conhecido já ele é, pelo menos entre a Estrela e a Meia Laranja. 

Outubro

Uso a ansiedade como prevenção, prova de que não ando a seguir as instruções da resiliência. O café eleva-me acima da plataforma, vem-me à memória estar dentro de uma grande avenida de uma grande cidade entre grandes avenidas de grandes cidades, a verdade se contar aqui dirá que eu apenas vivi num bairro, não há grandes cruzamentos de três faixas que tudo é pacato e o país mais pacato ainda, que tenha dado novos mundos ao mundo tomando parte da equação isso já é uma questão do tempo.
A tarde era calma sim senhor, não vi ninguém, até se deram ao luxo de ligar um berbequim sem incomodar, a minha irmã vai-se casar o que é uma felicidade que sobe à altura deste sol veraneante de Outono. A crise é um plot dum flop. O povo é um boi à frente do palácio. Continuem...Revolução? Enxuguem os olhos primeiro. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Bert Jansch (1943 – 2011)




Cheguei a Bert Jansch através de Neil Young, o mesmo que disse que Jansch estava para a guitarra acústica como Jimi Hendrix para a eléctrica. 

Steve Jobs por João Quadros



- Steve Jobs sabia o que queríamos sem ser preciso dizer nada - foi uma bela relação.
- Deus fez uma ilegal download.
- Mais 10 anos de Steve Jobs e eram os iphones que estavam a apresentar humanos novos - acho que Deus achou q ele estava a ir muito depressa .
- Faz tanta falta a pessoa que desenvolveu uma coisa que há 10 anos não fazia nenhuma falta .
- É a oportunidade de ficarmos a saber se há vida depois da morte , se houver, o Steve Jobs vai arranjar maneira de ligar a contar


Sobre a morte de Steve Jobs não li até agora nada melhor que os tweets de João Quadros. E foram escritos mal se soube da notícia. Na hora, ao segundo, o que quiserem, vejam as gralhas e repetições que para ali andam.  
Não estou obviamente aqui a fazer qualquer crítica ou reparo aos textos que li sobre Steve Jobs, pelo contrário. É apenas a minha humilde constatação, a inspiração voa. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Amolador


O amolador de facas chega como uma viagem à infância. Já o deram como acabado muitas vezes, mas na verdade tem aguentado e resistido ao tempo e aos tempos. O amolador ainda existe, pelo menos no meu bairro. Maravilha. 
Muitas vezes penso que era justo que ganhasse mais pelo som tocado que pelas facas afiadas. Lembro-me tão bem de o ouvir em criança, as nossas janelas eram anexas à rua, não dava para ver quem era. Não imaginava o que significava aquele som, só o ouvia, sem perguntas. Sei lá porquê. Talvez tivesse querido ficar apenas pelo som mágico, fresco, tão agradável. Não sei como é que reagiria se os meus pais explicassem que é um senhor que afia facas e tesouras. E que também arranja guarda-chuvas. Era capaz de ficar a achar tudo estranho. No mínimo.