quinta-feira, 21 de setembro de 2017

81.



PARIS, I'M SORRY
O ruído da máquina de lavar roupa parece só me dizer de uma maneira: you sorry, you sorry... Sim, tem sido isto nos últimos dias, nos próximos dias Todos menos eu Todos menos nós Todos You sorry, you sorry, you sorry... Porra! E pelos vistos arrasta a escrita... Depois é o ruído da centrifugadora Tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu... Tarda o silêncio Até ao regresso da modinha You sorry, you sorry... Algo se passa aqui entre mim e Paris E não é nada de um amor-ódio antigo É outra coisa, espécie de combinado Amor com amor-tédio Só que depois acontecem os acidentes Do magnetismo dos cartiers, das luzes! Aqui tudo electrifica até ao medo Dez anos e um chip mais que o corpo Viverás aqui, vinha escrito Claro que não será possível decifrar tudo Morreria num curto circuito Também pode ser mentira, gozo, boutade inconsciente Cada coisa traz seu tempo, trouxe-trará É como esta máquina a lavar-me a roupa suja
Com pressa, compassa 
You sorry, you sorry, you sorry... 





Asako Hayashi

terça-feira, 19 de setembro de 2017




A Corunheza, lá em cima. Cá em baixo era a primeira vez na vida em que eu pedia um café e me chegava um capuccino. Mau. Não suporto natas, mas lá consegui suportar a chávena larga até ao fim. Só para café tenho de pedir café solo, disseram-me mais tarde. A propósito, o café na Coruñeza é Delta. E o café na Galiza é óptimo. Só não o tentem em Castilla-La Mancha. Também imagino que já devem ter uma ideia. 




Foi uma surpresa apanhar com aquela estátua. Por outro lado não, tão normal que era estar ali aquela cabeça. No entanto, não há muito tempo, foi reclamada pela cidade, ia ser retirada, era de uma exposição temporária, mas já fazia parte da normalidade. Anormal era ela não estar lá, à cabeça, a cabeça. Pelos dias fora.  

80.



BCN

Liga-me o dia de ontem ao dia de hoje
Hora saída
Dor nos pés
Miró não
Tàpies
Sagrada família
Cabo Verde
Outra igreja 
A indicação
A pizza
Um bloco
Camp Nou em todos os postais
De Oriol Vilanova
E Esteban Estevo Estevão 
Esteve
Românico medieval apontado ao Pirinéu
Visigodos do antes
Seriedade na mesma 
O que agora ainda se lê em povos muito a cruz
O olhar de Deus frente
Ao encontro de Jordi Savall
Trazia a antena os auscultadores
Um cristo catalã medieval 
Onde Pasolini, claro, veio aqui beber à fonte mesma
Onde Eros 
Vistas absorve o antigo
Voo sobre esta Joana não a objectiva em concretude mas também
Assim não me perco, sigo o voo
Quase piso mais terra antiga 
Sant Andreu
1200 DC
Mestre de Taul La Lira de Esperia Galicia
Onde Brésson, claro, veio beber à fonte mesma
Lancelot cenário até que figura
Mais ainda para dentro de Deus sempre
Na intuída plenitude que vê sem efeitos
Cruz sem cruz nada é cruzado
Até à forma




Cidade branca? Também.

79.





COVADONGA


A respeito da época em que estamos
Contra os mais remotos que se perderam
Estamos abrigados agora
A ver nos museus os utensílios
Pelas idades geladas
Fossas cantábricas mil metros lá em baixo
Pelo oceano penhascos de água
Passeando o tempo
A falhar, a falhar, tentar era a única tradição
Porfiavam a desentender
De fora cercados por dentro
Tornando contra terrores de respeito
Cercados por fora
Foram o urro humano mais culto da História
Transpirados de pranto
Nas veias nas têmporas a medrar as artes da leitura animal
Dos temores ocultos
Abrigados nas covas 
Único respaldo úteriano de um pensamento que nos faz
Perguntas até hoje
Ou o prolongamento da rocha sobre a estalactite silêncio
Ao longe ao hoje 
Antepassado

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

78.


1.

Passará pronto. O retrato do dia suas leis - Não hão de ser débeis e efémeras.

Observa o fazer
Enquanto se criam
Reflexos de Deus

2.

Mas claro que nada
dizes tu
O tudo ao nada

Ou a ciência!

3.

Viajar a fala ao núcleo
Do silêncio a cada livro 

O universo a respiração a viagem precisa
Sem linha nem roteiro.

4.

A primeira leitura foi antes escrita.

5.

Mágicos somos os mágicos
Folgazões, reis leões direito a tudo
Até mesmo a doirar esta gaiola que nos desterra.


6.

A alegria perfura paredes, abre a janela ao limite encontra-te
A ler esta carta.


77.



SILÊNCIO


Não podes ver desse ângulo 

Não tens a mira pronta
Nem os motores para a viagem
Nada ainda fabricado está

Sol

Tranquilo

Nem sequer faz vento

Não te apures
Não torças o advérbio adversário

Teu mundo é teu corpo
É inevitável estares agora aqui
Ao perto fora das salas 
Onde se tacteiam ladrões

segunda-feira, 31 de julho de 2017

75.

O caderno até tem lombas do uso da areia
Inchado pelo sol e pelas águas salgadas
Curtido em sal, isto sim, é um corpo caderno
Pensar como esse personagem de Sam Shepard cartografando
As milhas diárias combinadas com a mochila preta de moto 
Aos anos salgada e eu
A escrever isto antes de mergulhar no mar banhar
O caderno porém não se limpa
Em qualquer duche aguentará
Na chuva sobre a água 
Em poças sabemos nós 
Lá quando algum homem já não existido
O encontrará por entre os lixos
Fulano numa lotaria há um mês
Beltrano que já não é de agora

domingo, 23 de julho de 2017

74.

Passas o tempo a pensar e não escreves
Quando falas (isto sabendo que a tua fala 
É confusa e que só realmente puxas das palavras quando te apuras)
E alguém diz que isso devia estar escrito
Como uma ordem 
O acto de cozer  
Distintas formas os labirintos
Milenares formas de contornar
Lanterna a reflectir a parte mais líquida
Da rocha que desenhas
Do mundo que a tudo insiste
A dar a moeda ao mesmo ao mesmo mesmo
Absoluto 

sábado, 22 de julho de 2017

73.





1. 

Despertar por despertar. Mensagens com Tiago Gomes via Aljezur. Estou na costa alentejana, Vila Nova de Milfontes. E encontrar o mesmo Sam Shepard faz uns bons três anos. A temperatura e o artesanato bruto daquela escrita é me mais benéfico para minha metafísica que muitos tratados de literatura, filosofia, astrologia. Enfim... daí falando é toda uma outra astrologia, terra que só arde de vez em quando. Antes tinha visto os Diários do Kafka, também internos na estante da papelaria-livraria todos estes anos.  E antes vira Inês, vive na vila, sua irmã que eu vi bebé aos vinte e poucos é obviamente uma mulher feita. O irmão mais velho, já se divorciou, vive no Qatar, é piloto da Qatar Airlines e põe fotos aéreas estupendas no Instagram. Adiante, siga, café e croissant com queijo na Mabi, frango de churrasco para almoço. Depois uma conversa com o meu irmão que é aficcionado total do ténis, para aí desde Agassi. Fui eu que puxei o assunto a Federer por causa do David Foster Wallace. Então a conversa entre-cruzou. Tudo muito bem patinado. A expensas do meu irmão, claro. 


2. 

O amor ressente-se por outra coisa, porém. É o despertar para o despertar. Até ao dormir eterno. Pelo menos desta vida. Há que despertar. 


3.

Auden sobre Kavafis, na praia, sobre Paul Valery, por causa das coisas e de tudo aquilo que eu não sei, que é tanto tudo que o que eu mais devia é ter juízo. E despertar, pelo menos nesta vida.


4.

Empenho-me em dar um mergulho. Que grande sorte tenho eu em desde dia um de Junho já me ter banhado umas vezes nas águas espanholas do Mar Cantábrico de Santander, e nas costas galegas de Vigo e Pontevedra... E digo bem alto que em El Sardinero a água estava mais quente, e que Nigrán bastante mais quente estava. Não sei o que deu à foz do Rio Mira. 

5.

Mergulho. Bem precisava dessa alquimia. Solução de Verão eterno.  

72.

Falava-me nessas fotografias que tirava da gente comum. E como todo um meio, de mira em punho pontiagudo a acusarem o caminho mais fácil e óbvio, pois então, desistidos de fotografar gente até ao final dos seus dias. Calos de corpo, calos de vida, ó que coisa. Estação do Rossio. Lisboa turística a receber espécies. E Lisboa já não era Lisboa e Barcelona é quase toda a Barcelona que nós sempre conhecemos excepto que é Barcelona. Como todo o Alentejo que é Alentejo ainda não é um produto inventado por uma marca que apanhe a sua essência isolando sua fórmula química em laboratório afim de sintetizá-la consoante os padrões de um supremo algoritm advisor.

terça-feira, 18 de julho de 2017

71.


Penso o fundo 
É o que procuro
O senso de propósito
Não encontrei mas respiro-o
Algures


Toda a ideia de melhora
Acompanhando a dor carne viva
Retirando-me o discernimento 
Ao Deus-dará seguindo
O trilho a que estou obrigado


A poesia dança dimensões através da linguagem.

A escrita melhora o pensamento deixando encarnar o intuído pelo poder e o dom da transcendência. Traz respostas perguntas poder mágico. 

A ideia de todas as milhas percorridas não deixa de me assombrar o entendimento. Mas também não deixa de fazer acreditar em todos os milagres.


Seu posto, enfim, seu posto onde lhe é permitida ver desenvolvida sua ficção que nada mais é que ele próprio concebido pela explosão nuclear de sua própria estrela. 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Do Ar



CABEÇA DO AR

Cabeça no ar, sempre no ar
Vendo as coisas no ar
Sempre do ar
Voar
Sem ir parar
Ir dar
Não dar
Até cair 
Em terra ou no mar
Ou na lixeira, algures, ligeira
Dos sentidos
Sentidos a dar
A algum lugar que é nenhum 
Lugar a dar 
Não dar


***


AR AO AR

Deixa-te desse teu terra a terra
Produto da terra
De quem está na terra
É realista, sim, e pertinente, muito
Mas não para quem está a voar neste preciso momento
O preciso momento a grande altura
No que são precisos acima de tudo bons propulsores

domingo, 16 de julho de 2017

70.



CASA SETE 


Vivemos em tempestade
Latente
Por vezes anuncia-se 
Outras vezes
Não

***

A arte sublima a dor
A arte decora o interior
Pudera
Ela que o recria

***

Se tomares do alcatrão um continente preto
Perto dos pés a pesar o sujo
Negro talvez 
Cinza todo textura
Como tudo o que há


Bisavô Francisco Ernesto




Há quem diga que foi sorteado o contemplado 
O tiro, o acto heróico de José Júlio - «Foi um acto heróico, o do Zé Júlio!»
Fez-se História 
Reza assim: 
"Ao despedir-se a sós, Ernesto Góis chorou e pediu que desistisse do seu intento, pois alguém se encarregaria de livrar Portugal do tirano. José Júlio deu-lhe uma declaração defendendo a União Sagrada e pediu que a desse a conhecer depois da sua morte, pois estava certo que pereceria perto com Sidónio."
Etc, etc, ou etcetera...
Depois há quem se interrogue
«Como é que aquela carta estava no bolso de trás das calças?»
Passaporte para a cadeia
Verdade é que do Chico Ernesto só me ficou uma foto
À imaginação, o meu avô, adolescente, tomando a família pelos pulsos
Olhando Hitler ao longe, Franco mais perto, Salazar presente
Estranguladas décadas in extremis a conseguir
Forçar a suportar
O inclinado desvio o beijo da morte
O cumprimento num tiro - «Foi o que foi...»
O herói da imagem, ou a imagem do herói
Pensar que tudo é melhor que nada
Vergada a coluna toda
A chegada à morte
Paralela.

sábado, 1 de julho de 2017




Frente ao Farol: El Sardinero
Mas só penso nessa praia andaluza, em Almeria
Desértica, uma esplanada de três mesitas, um casal amigo daquela noite 
No Folhas D'Erva, um ano atrás, caminharei então
Agora o caminho é cada vez mais a caminho 
É que a montanha se tornou planície 
Onde estou, como hei de saber?
Nunca vi um explorador de antemão
Mesmo assim direi que sempre na praia
Pode ser defronte à ilha, num café rude, a dar autentico
A beber uma Estrella andaluza, Damn, atiçou-me a memória


sábado, 27 de maio de 2017

Notas sobre Tàpies





Forma de não forma 
Não 
A forma é pesada 
Pesada a forma 
Só a textura a pinta 
Como mostra 
Toma 
Pesa
Queres libertá-la, pensa


---------------------------

A potência do objecto como tópico de reflexão implica a dor de senti-lo. Nem assim uma transcendência ou realismo mas um tópico de reflexão, uma sugestão, uma abertura. 


---------------------------

O violino só tem duas cordas, um x questiona. Em estor corre-o. Não sei se é essa a ideia mas o trabalho que dá a arranjar a forma.... A deformá-la, a invertê-la, a transformá-la, tudo para a mais sórdida dissolução. Ou pelo menos é um ar que se respira diferente. Tóxico e rarefeito? Não sabe. Mortal? Também não. Verdade é que se respira. Livre a prova que estamos vivos. Saímos vivos da exposição. E provavelmente de todas as obras de todas as exposições. 

69.

- Só dando o máximo ao mínimo alcanço o mínimo do máximo. 

- No pasa nada, passa tudo, tudo passa, tudo se passa. 

- A realidade, na realidade, se não é brincadeira de ninguém também não é brincadeira nossa. 

- Meu lado razoável só me quer estóico, nada razoável. 

- Deixa-os explodir. Não vão mudar nada. 

68.


Depois de meditar nas Direcções Simbólicas penso agora, plena praia de El Sardinero, se todas as direcções não são simbólicas. Se não deixam pistas em qualquer lugar. Se qualquer coisa não se torna imediatamente simbólica. As voltas que isto dá, esta cidade. Mais as anchovas que são simplesmente do espanto. E tudo se encaixa. Encaixa porque todo o encaixado encaixa o que é suposto ser encaixado. Construído antes de ser construído. Como um encaixe. Todas as televisões nos cafés e derivados estão sempre ligadas nos noticiários. Ou então é só futebol nas grandes pantallas. A cerveja é boa. E os melhores pinchos do mundo com toda a certeza absoluta. Sinto-me bem até me sentir mal no norte-escuro. 

terça-feira, 23 de maio de 2017

67.


SÓ ESCREVENDO

Só, escrevendo
Só escrevendo 
Só escrevendo cheguei ao país estrangeiro
Só escrevendo regresso agora ao próprio país
O país próprio
Do estrangeiro
Só escrevendo tudo se me esplana 
Plana
Escrevendo-me, só escrevendo
Imponho-me agora um estou 
Não estou ao pé de ti
Pela primeira vez
Faz-me falta essa amaldiçoada temperatura
Agora cintura industrial
Outro balde de cidra pura outra astúria
Outra mentira pelos vistos
Tão estimada, esquecida

quinta-feira, 13 de abril de 2017




Ourense é cidade de puta madre. Filha da mãe. Metade Galiza, rasto a Espanha, restos de Portugal. Sim, dá para ver. A entrarem essas gotas lusas. Mas é mais antigo. Mais novo também. Setas mescladas em direcções distintas - distintas direcções. De distinto na diferença. De uma parte a outra e de ambas as partes. O Mercado de Abastos mais parece Portugal. Um Portugal típico de algum lugar onde nunca fui mas sempre poderia existir. Depois os rios, a ponte romana pelo Rio Minho. Desse centro onde antes iam dar todos os caminhos. De uma Roma onde nos encontramos. Dessa Roma que nos inventou antes de existirmos. De estarmos juntos. De nos separarmos. Até hoje, onde as margens de um lado que atravesso na sumptuosa ponte Vella são as opostas em países onde tudo se confunde, no Minho, onde havia de ser? Em Ourense.  

quarta-feira, 12 de abril de 2017

66.


PORTO DE SANTANDER


Santander encheu-me a boca de palavras
Não me calei durante décadas
De Lisboa engolido eu fiz-me
Expulsar da lama isto e aquilo - é pasto!
Passo atrás, recuado 
Adiante ao Porto onde tudo se começou a ver
A partir do porto 
Da estrada ao quinto de cima da baía depois
Pelas notícias da calha
Do fim da república ao início 
Da monarquia foste tu
A anunciar o verão primeiro
Em movimento retrógrado
Aos recuos da Primavera.

quarta-feira, 8 de março de 2017

65.


Nova palavra antecipada 
A direcção
Escrevia eu enquanto escrevia
Para aí me dirigia 
Sevilhas de verdade 
Romance da própria vida romance entroncamento de romances
Que correram
Mau, lama, as raízes...
Matéria a matéria acimentada, enfim, passar, vamos passar 
Por cima ao alto e pára 
O baile Galiza 
Norte do norte do nosso norte norte nosso 
Norte casa 
Rodagem da roda 
Da fortuna a Finisterra 
Aí nos temos
Conjunção nomeada antes do beijo e de toda a terra tremer quando nada pode 
A casa, sim, la casa
Si la nuestra
Casa nossa à nossa

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

64.


Não racionalizar a sombra. Não pensar a sombra. 
Deixar a sombra ser a sombra. 

*********

A humanidade a pensar que pode ser solta a vida inteira. A solidão sem união que não a circunstancial circunstância. Como uma sonda. A derivar no espaço. Sondando.

*********

A cidade. A grande cidade não hospitaleira. Um cinismo uma presença pertença amargurada. Que não quer saber disso agora. Não quer saber de nada agora. 

********

Quando um Destino conspira dentro de ti deixa de ser céptico.

********

Ai eu estive quase morto no deserto e o Porto aqui tão perto...

********

Ser todos os lados é transmitir todos os lados menos o lado onde se transmite, onde se é. Onde se delimita o limite onde não se dissipa. Onde só nos dissipamos em transcendência. 

*********

Meio morre à fome? Morrer à fome é um dos meios.

*********

Dia a dia não é foguete a foguete. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

63.


Cheguei ao lobo
Não mato nem meto
Mais gelo o tempo
Ao Inverno, sim
Aguento

Não fico não me demoro

Não sei do tempo nem do horário dos comboios assim de repente
Se virá de Zurique se é
Madrid que eu amo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

62.



TECHNICOLOR TU
Para Lucila 


Preciso de escrever.  Te escrever. Te escrever preciso
Estás agora a dormir. Dormida tu. Y te quiero
Preciso escrever. Preciso escrever preciso
Estive metido por entre os astros. Precisos astros. Energias
Precisas
Via-te assim como exacta
A geometria só me faltava
O descontexto 
O como te puedo decir en castellano como ex con texto
Sin problema pues te quedas conmigo y te ríes de mi de mí por mi
Cariño te emocionas y aún más toda mi suerte aqui es fortuna y no hay otra manera
Mi amor, nos queremos 
Te queria decir, ahora en portugués, que o que me faltava naquele momento era literatura
Um pouco de lama a cobrir-me as paredes inflamáveis
Todo eu eléctrico urano
Oposição à boa sorte como energia a transformar um esgoto em Veneza excepto
Se me organizar excepto
Se necessitar de organizar como 
Controlar por no tener control
Até chegar a casa tu casa más tranquilo
Sim, começámos a viagem quando nos nasceu o primeiro átomo
Verdadeiro contra prosaico 
Porque esse átomo era um pixel ao primeiro sinal foi contra o rosto
Seu destino eu que és tu
Nós dentro de nós outros 
A toda a hora nos queremos via as galáxias
A noite no directo sentido de à noite nos vemos
E sentimos melhor para despertar en tu mañana ultra planante esta plenitud voz del sur 
Tu eres mi norte
Musa italiana actriz de los anni sessanta
Atómico preparativo 
De lugares planetas evasivos
Colonizamos nós outros dentro 
O amor precisava escrever amor, precisava escrever, amor
Ser escrito agora agora único único
Linguagem toda a linguagem 
É simbólica então fazes-me eu faço um símbolo 
É o símbolo animal selvagem cria
Sem destruir 
Amigo de todos os jantares antes de nós 
Corpos que se querem cama 
De todos os lugares tarot
Infinito particular
Cantemos 
La profundidad
Desse Brasil Argentina
Entre Alentejo Galiza