Falava-me nessas fotografias que tirava da gente comum. E como todo um meio, de mira em punho pontiagudo a acusarem o caminho mais fácil e óbvio, pois então, desistidos de fotografar gente até ao final dos seus dias. Calos de corpo, calos de vida, ó que coisa. Estação do Rossio. Lisboa turística a receber espécies. E Lisboa já não era Lisboa e Barcelona é quase toda a Barcelona que nós sempre conhecemos excepto que é Barcelona. Como todo o Alentejo que é Alentejo ainda não é um produto inventado por uma marca que apanhe a sua essência isolando sua fórmula química em laboratório afim de sintetizá-la consoante os padrões de um supremo algoritm advisor.
sábado, 22 de julho de 2017
terça-feira, 18 de julho de 2017
71.
Penso o fundo
É o que procuro
O senso de propósito
Não encontrei mas respiro-o
Algures
Toda a ideia de melhora
Acompanhando a dor carne viva
Retirando-me o discernimento
Ao Deus-dará seguindo
O trilho a que estou obrigado
A poesia dança dimensões através da linguagem.
A escrita melhora o pensamento deixando encarnar o intuído pelo poder e o dom da transcendência. Traz respostas perguntas poder mágico.
A ideia de todas as milhas percorridas não deixa de me assombrar o entendimento. Mas também não deixa de fazer acreditar em todos os milagres.
Seu posto, enfim, seu posto onde lhe é permitida ver desenvolvida sua ficção que nada mais é que ele próprio concebido pela explosão nuclear de sua própria estrela.
segunda-feira, 17 de julho de 2017
Do Ar
CABEÇA DO AR
Cabeça no ar, sempre no ar
Vendo as coisas no ar
Sempre do ar
Voar
Sem ir parar
Ir dar
Não dar
Até cair
Em terra ou no mar
Ou na lixeira, algures, ligeira
Dos sentidos
Sentidos a dar
A algum lugar que é nenhum
Lugar a dar
Não dar
Lugar a dar
Não dar
***
AR AO AR
Deixa-te desse teu terra a terra
Produto da terra
De quem está na terra
É realista, sim, e pertinente, muito
Mas não para quem está a voar neste preciso momento
O preciso momento a grande altura
No que são precisos acima de tudo bons propulsores
domingo, 16 de julho de 2017
70.
CASA SETE
Vivemos em tempestade
Latente
Por vezes anuncia-se
Outras vezes
Não
***
A arte sublima a dor
A arte decora o interior
Pudera
Ela que o recria
***
Se tomares do alcatrão um continente preto
Perto dos pés a pesar o sujo
Negro talvez
Cinza todo textura
Cinza todo textura
Como tudo o que há
Bisavô Francisco Ernesto
Há quem diga que foi sorteado o contemplado
O tiro, o acto heróico de José Júlio - «Foi um acto heróico, o do Zé Júlio!»
Fez-se História
Reza assim:
"Ao despedir-se a sós, Ernesto Góis chorou e pediu que desistisse do seu intento, pois alguém se encarregaria de livrar Portugal do tirano. José Júlio deu-lhe uma declaração defendendo a União Sagrada e pediu que a desse a conhecer depois da sua morte, pois estava certo que pereceria perto com Sidónio."
Etc, etc, ou etcetera...
Reza assim:
"Ao despedir-se a sós, Ernesto Góis chorou e pediu que desistisse do seu intento, pois alguém se encarregaria de livrar Portugal do tirano. José Júlio deu-lhe uma declaração defendendo a União Sagrada e pediu que a desse a conhecer depois da sua morte, pois estava certo que pereceria perto com Sidónio."
Etc, etc, ou etcetera...
Depois há quem se interrogue
«Como é que aquela carta estava no bolso de trás das calças?»
Passaporte para a cadeia
Verdade é que do Chico Ernesto só me ficou uma foto
À imaginação, o meu avô, adolescente, tomando a família pelos pulsos
Olhando Hitler ao longe, Franco mais perto, Salazar presente
Estranguladas décadas in extremis a conseguir
Forçar a suportar
O inclinado desvio o beijo da morte
O cumprimento num tiro - «Foi o que foi...»
O herói da imagem, ou a imagem do herói
Pensar que tudo é melhor que nada
Vergada a coluna toda
A chegada à morte
Paralela.
sábado, 1 de julho de 2017
Frente ao Farol: El Sardinero
Mas só penso nessa praia andaluza, em Almeria
Desértica, uma esplanada de três mesitas, um casal amigo daquela noite
No Folhas D'Erva, um ano atrás, caminharei então
Agora o caminho é cada vez mais a caminho
É que a montanha se tornou planície
Onde estou, como hei de saber?
Nunca vi um explorador de antemão
Mesmo assim direi que sempre na praia
Pode ser defronte à ilha, num café rude, a dar autentico
A beber uma Estrella andaluza, Damn, atiçou-me a memória
sábado, 27 de maio de 2017
Notas sobre Tàpies
Forma de não forma
Não
A forma é pesada
Pesada a forma
Só a textura a pinta
Como mostra
Toma
Pesa
Queres libertá-la, pensa
---------------------------
A potência do objecto como tópico de reflexão implica a dor de senti-lo. Nem assim uma transcendência ou realismo mas um tópico de reflexão, uma sugestão, uma abertura.
---------------------------
O violino só tem duas cordas, um x questiona. Em estor corre-o. Não sei se é essa a ideia mas o trabalho que dá a arranjar a forma.... A deformá-la, a invertê-la, a transformá-la, tudo para a mais sórdida dissolução. Ou pelo menos é um ar que se respira diferente. Tóxico e rarefeito? Não sabe. Mortal? Também não. Verdade é que se respira. Livre a prova que estamos vivos. Saímos vivos da exposição. E provavelmente de todas as obras de todas as exposições.
69.
- Só dando o máximo ao mínimo alcanço o mínimo do máximo.
- No pasa nada, passa tudo, tudo passa, tudo se passa.
- A realidade, na realidade, se não é brincadeira de ninguém também não é brincadeira nossa.
- Meu lado razoável só me quer estóico, nada razoável.
- Meu lado razoável só me quer estóico, nada razoável.
- Deixa-os explodir. Não vão mudar nada.
68.
Depois de meditar nas Direcções Simbólicas penso agora, plena praia de El Sardinero, se todas as direcções não são simbólicas. Se não deixam pistas em qualquer lugar. Se qualquer coisa não se torna imediatamente simbólica. As voltas que isto dá, esta cidade. Mais as anchovas que são simplesmente do espanto. E tudo se encaixa. Encaixa porque todo o encaixado encaixa o que é suposto ser encaixado. Construído antes de ser construído. Como um encaixe. Todas as televisões nos cafés e derivados estão sempre ligadas nos noticiários. Ou então é só futebol nas grandes pantallas. A cerveja é boa. E os melhores pinchos do mundo com toda a certeza absoluta. Sinto-me bem até me sentir mal no norte-escuro.
terça-feira, 23 de maio de 2017
67.
SÓ ESCREVENDO
Só, escrevendo
Só escrevendo
Só escrevendo cheguei ao país estrangeiro
Só escrevendo regresso agora ao próprio país
O país próprio
Do estrangeiro
Só escrevendo tudo se me esplana
Plana
Escrevendo-me, só escrevendo
Imponho-me agora um estou
Não estou ao pé de ti
Pela primeira vez
Faz-me falta essa amaldiçoada temperatura
Agora cintura industrial
Outro balde de cidra pura outra astúria
Outra mentira pelos vistos
Tão estimada, esquecida
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Ourense é cidade de puta madre. Filha da mãe. Metade Galiza, rasto a Espanha, restos de Portugal. Sim, dá para ver. A entrarem essas gotas lusas. Mas é mais antigo. Mais novo também. Setas mescladas em direcções distintas - distintas direcções. De distinto na diferença. De uma parte a outra e de ambas as partes. O Mercado de Abastos mais parece Portugal. Um Portugal típico de algum lugar onde nunca fui mas sempre poderia existir. Depois os rios, a ponte romana pelo Rio Minho. Desse centro onde antes iam dar todos os caminhos. De uma Roma onde nos encontramos. Dessa Roma que nos inventou antes de existirmos. De estarmos juntos. De nos separarmos. Até hoje, onde as margens de um lado que atravesso na sumptuosa ponte Vella são as opostas em países onde tudo se confunde, no Minho, onde havia de ser? Em Ourense.
quarta-feira, 12 de abril de 2017
66.
PORTO DE SANTANDER
Santander encheu-me a boca de palavras
Não me calei durante décadas
De Lisboa engolido eu fiz-me
Expulsar da lama isto e aquilo - é pasto!
Passo atrás, recuado
Adiante ao Porto onde tudo se começou a ver
A partir do porto
Da estrada ao quinto de cima da baía depois
Pelas notícias da calha
Do fim da república ao início
Da monarquia foste tu
A anunciar o verão primeiro
Em movimento retrógrado
Aos recuos da Primavera.
quarta-feira, 8 de março de 2017
65.
Nova palavra antecipada
A direcção
Escrevia eu enquanto escrevia
Para aí me dirigia
Sevilhas de verdade
Romance da própria vida romance entroncamento de romances
Que correram
Mau, lama, as raízes...
Matéria a matéria acimentada, enfim, passar, vamos passar
Mau, lama, as raízes...
Matéria a matéria acimentada, enfim, passar, vamos passar
Por cima ao alto e pára
O baile Galiza
Norte do norte do nosso norte norte nosso
Norte casa
Rodagem da roda
Da fortuna a Finisterra
Rodagem da roda
Da fortuna a Finisterra
Aí nos temos
Conjunção nomeada antes do beijo e de toda a terra tremer quando nada pode
Conjunção nomeada antes do beijo e de toda a terra tremer quando nada pode
A casa, sim, la casa
Si la nuestra
Casa nossa à nossa
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
64.
Não racionalizar a sombra. Não pensar a sombra.
Deixar a sombra ser a sombra.
*********
A humanidade a pensar que pode ser solta a vida inteira. A solidão sem união que não a circunstancial circunstância. Como uma sonda. A derivar no espaço. Sondando.
*********
A cidade. A grande cidade não hospitaleira. Um cinismo uma presença pertença amargurada. Que não quer saber disso agora. Não quer saber de nada agora.
********
Quando um Destino conspira dentro de ti deixa de ser céptico.
********
Ai eu estive quase morto no deserto e o Porto aqui tão perto...
********
Ser todos os lados é transmitir todos os lados menos o lado onde se transmite, onde se é. Onde se delimita o limite onde não se dissipa. Onde só nos dissipamos em transcendência.
*********
Meio morre à fome? Morrer à fome é um dos meios.
*********
Dia a dia não é foguete a foguete.
*********
Dia a dia não é foguete a foguete.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
63.
Cheguei ao lobo
Não mato nem meto
Mais gelo o tempo
Ao Inverno, sim
Aguento
Não fico não me demoro
Não sei do tempo nem do horário dos comboios assim de repente
Se virá de Zurique se é
Madrid que eu amo.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
62.
TECHNICOLOR TU
Para Lucila
Preciso de escrever. Te escrever. Te escrever preciso
Estás agora a dormir. Dormida tu. Y te quiero
Preciso escrever. Preciso escrever preciso
Estive metido por entre os astros. Precisos astros. Energias
Precisas
Via-te assim como exacta
A geometria só me faltava
O descontexto
O como te puedo decir en castellano como ex con texto
Sin problema pues te quedas conmigo y te ríes de mi de mí por mi
Cariño te emocionas y aún más toda mi suerte aqui es fortuna y no hay otra manera
Mi amor, nos queremos
Te queria decir, ahora en portugués, que o que me faltava naquele momento era literatura
Um pouco de lama a cobrir-me as paredes inflamáveis
Todo eu eléctrico urano
Oposição à boa sorte como energia a transformar um esgoto em Veneza excepto
Se me organizar excepto
Se necessitar de organizar como
Controlar por no tener control
Até chegar a casa tu casa más tranquilo
Sim, começámos a viagem quando nos nasceu o primeiro átomo
Verdadeiro contra prosaico
Porque esse átomo era um pixel ao primeiro sinal foi contra o rosto
Seu destino eu que és tu
Nós dentro de nós outros
A toda a hora nos queremos via as galáxias
A noite no directo sentido de à noite nos vemos
E sentimos melhor para despertar en tu mañana ultra planante esta plenitud voz del sur
Tu eres mi norte
Musa italiana actriz de los anni sessanta
Atómico preparativo
De lugares planetas evasivos
Colonizamos nós outros dentro
O amor precisava escrever amor, precisava escrever, amor
Ser escrito agora agora único único
Linguagem toda a linguagem
É simbólica então fazes-me eu faço um símbolo
É o símbolo animal selvagem cria
Sem destruir
Amigo de todos os jantares antes de nós
Corpos que se querem cama
De todos os lugares tarot
Infinito particular
Cantemos
La profundidad
Desse Brasil Argentina
Entre Alentejo Galiza
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
61.
FABULOSA
MALTA ALENTEJANA
2011
- Descobri isto com Bolaño: escrever com música altos berros aos auscultadores.
Longe da voz bem perto do bater do batimento cardíaco.
2014
- Não se sabe bem onde, nem se a escrita vai de três a onze dimensões…
2003
- Ninguém me acredita, o mestre gritou, então caíram uns atrás de outros quais
peças de dominó. Mas outra vez ninguém me acredita…
2009
- Então botas calçadas lá vou eu. Passo os montículos de terra sobre o penhasco
da rocha, o mar abaixo mesclado em névoa, barcos bem perto trouxeram peixe
acabadinho de pescar. É Porto Côvo dia de nevoeiro. Um pescador que fez
tertúlia ontem naquele improvisado grupo ali ao Rossio a perguntar se não
queria comer um peixinho, e falava a sério este aqui é o
meu pai, e insistia que eu me sentasse naquela improvisada esplanada de uma
mesinha mesmo à porta da rua, com as pessoas a terem de desviarem-se para a estradinha.
Eu
respondi um rotundo não a soar a fome: tem óptimo aspecto mas já almocei... Enfim,
apetecia-me estar sózinho. Também não queria ser mal educado: trazia-me comigo
o tempo todo e toda a gente à minha espera...
2021
- Foi aí que eu disse: Soubessem como
em Lisboa aprendi a tornar-me insensível. Vá-lá que me belisquei quando vi o
papel de que eram feitos certos tigres... E contra isso, amigos, o tempo pode
pouco ou quase nada. O tempo, quando muito, deforma.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
60.
IBÉRIA LÓGICA
O milagre sim
Um milagre vem
De Espanha
Tragédia por tragédia maior tragédia foi
A Armada Invencível a outra derrota
O NON menor
O enfim
Esquecida
A vingança ao Grã-Jesuíta
Revancha protectorada a uma Grã-Bretanha
Prefiro antes uma Grã-Ibéria
Festa da fiesta onde podemos ser
Parte o mesmo barco
Até porque carne
Já o (éramos já)
O somos
O somos
59.
Tudo se torna falso com o álcool
Já era falso tecto falso tive de
Furar paredes furar esse suado ir
Pelo senso comum
Que não fui que não
Comuniquei
E então
Desbravei furei furei
A álcool a parede
A álcool que fez
Fez cimento é preciso
Mais cimento traz álcool
Ou se quiseres antes gasolina
É a gasolina
Como agora é o silêncio a rosca
Porque a parede entretanto foi abaixo
Mais espaço menos uma divisão
Pensas tu
É essa a dinâmica de destruir muros em tectos
Necessário pelo interior a dentro o interior
No que entretanto a cada segundo está instalado
Cada segundo a salvo
Do génio intrínseco mecânica dos motores
Sotura de infância mecânica de ser
O que sou antes de eu
Ter sido destruído destruindo
Ir por ali adentro tal como se usam tanques na guerra depois
Do bombardeio
Quando
O que mais te querem é
Que decores quando
O final é que os decores
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
LOBO À COLINA DE
SÃO ROQUE
Les Photo
Inquéritos de satisfação
Este relativismo
doido
Rede presa em
casa
Nas casas
Marchar contra
Entrar no
bairro, na colina
Fui
Lobo gélido
insatisfeito
De humores fora da toca
Não vos digo
nunca onde
Como nunca sei
Onde você mora,
ou sei
Explorar o que
há para explorar
Como está
Lisboa, como está?
Como está Lisboa
hoje, como está
A subir e a
descer subir e descer Bruschetas
O Forcado Peixe
laranja
É a Rua da Rosa. a Mamie Rosa, chapéus Galo de
Barcelos Cozinha trendy é portuguesa é trendy é portuguesa Sim E o Brás Grogs
Dança da Comida Ao fundo do fundo do fundo O Mini-preço Um
É gente a mais,
já almoçaram Fidalgo Faia Vazio é o faro
Pirata bar um
preto homem Martelaria pesada tá tum tá tá tum tá tá tum tá
Ai Precisava de
saber mesmo como te escondias atrás desta merda na tua toca
Tua Casa casa
sempre casa Sempre casa sempre Em casa
Rá-tá-tá tá-tá tá-tá-.
tá-tá- tá-tá-... Travessa da Queimada
Bairro Alto
massa
Rua da Atalaia tudo
Em película
quando alcanço as Catacumbas Memórias de noite
Tu eu Alcateias
consoante décadas
Lá fora
acasalados num carro Lá fora, disse, sou lobo, nunca fui apanhado
Nas escadas de
um prédio mandou vir
Com o barulho fui daqui até à Alameda
Mandei-te o convite, está lá no facebook...
Sopro o sopro
ouvia isto aos dez anos
Abro a boca o
focinho ao cheiro oleava faz séculos
Devorava isto
tudo.
Às barcas, às
barcas! Pelo mar e pelo mar...
Ás malvas! Ás malvas!
Estimados É como
é como comer papel Souvenir tamanho não é memória Mera é mera a constatação
Voilá, era um convite Vou Shop-shop mini-mercado Travessa da Boa Hora, antes
isso Uma preta mulher Só para dizer que aqui estou sempre no antigamente Século
XVII, XVIII sobretudo E o terramoto? O fartote? Antes, quando antes era tudo
bilingue, bom
Jamais esquecerei os estridentes risos dos
escravos iguais
Todos iguais na
catástrofe eu é que nunca Mas nunca fiz parte de manadas nem de exércitos Nem
de futebóis, sou lobo não faço espécie não sou espécie da espécie se é que me
faço entender
Dessa espécie,
bom, não vos digo mais nada...
Bem, sei, só me
querem porque eu vos dou pistas só eu vos dou pistas as pitas Só eu
Simulo o
passado, conto-vos que conto, fui vou e já fui, e já vou...
Pistas, pistas, pistas gargalhadas pistas
gargalhadas, sim, bem gargalhadas
Hei! Mas não me
riu nunca me riu nada disto tem graça nenhuma
Ou tem se tem,
por outro lado Posso contar do passado...
Ou não, não,
não, não conto do passado como Não conto o passado como
Não conto com o
passado Ouviram?
Uivo a isso Vão
bardamerda, Uivo a isso
A todos
bardamerda a todos, uivo a isso
Só mesmo quando estou disposto Bem disposto
quando dou uivo Por ela uivo uivo ó bardamerda S
oubessem vós
como tenho de me centrar no alimento Isso que odeiam, isso, e odeiam-me!
Isso, odeiem-me
Sou lobo não sou nenhum congregador de almas Soubessem vós como estou como vou
Toda a concentração ao máximo é sempre o mínimo Um mínimo olímpico, soubessem
vós O que são trezentos mil anos Por exemplo... Vá-lá Lisboa ta-ra-ra-ra-ra-ra-rã...
Rá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.... Edda em verso perdiz Ragnarok pardalado Lobas
à colina! venham Bom cu trans-oriental transexa eu miro é o tempo Nah!...
Acreditaram, era?
Nah, cuba
exótica, cheirei-lhe Ouvi-a mais tarde.... Três horas depois....Já estava
longe...à beira do cais Ouvi tudo... Os sapatos a serem descalçados ela a
deitar-se no balcão O bar às escuras até vos digo as horas cinco da tarde
Não acreditam?
Querem cheirar? Faro o faro Fixo o fixo Vou o vou ido o ido Sou todo ido e estou
Estou o estou Fenrir e príncipe nas margens do Volga Até predominei em Sevilha
Austrália a pé Vossos céus coitados, não têm disso Vossos infernos, pior, estão
cheios de água Não atravessam nada se não atravessam Nem pelo inferno... Mas
vamos lá vamos lá: Cuba à vista! Num bar! Uivo a isso Opá The Pint Estation
Espera aí na varanda A salsa canta a saliva Sientes que te quiero más con
mi...Lalalala Sou um Shazam Disseram-me isso, sou um Shazam Não sei o que quer
dizer mas aceito Desafio aceite Voilá e já o era Atraio E mais, mais, mais
souvenirs mini-mercado Do paquistão ou do Nepal je m'en fous Tapa bucho tapas y
pinchos Estrella Damn, diz lá, Estrella Damn Travessa de São Pedro Cuidado O
ponto seguinte do percurso é cansado: Tacão Grande Mil Novecentos e Noventas
Entas A Catarina Santiago Costa diz que falávamos muito sobre cinema nós dois nos noventas
entas Uivo a isso!
Mas é andar....
Parafernália a
parafernália
Parabólica
branca medonha de alta enorme cobre todo o MC da esquina Como se ninguém
soubesse Como as ruas são curtas as casas contíguas mas aquilo enorme A
anunciar um fim de um bairro, mesmo que hipotético É o fim é o fim eu já vi
tantos fins Só esta colina de São Roque sempre a começar sempre a acabar sempre
a começar sempre Vá das ruas marcadas Memórias... A parabólica diz Contera Ai a
Alfaia Comi lá, uivo a isso mas
Ai ai ai Tasca
Tequilla Bar Mojito Mezcalina Conchonchada e enchilada! Bom, não percebo a
letra... Pancho Collins? Sim. Et Sim: The Corner Irish Pub, bom,
agora leio melhor: Sex On The Beach, Irish Car Bom The Westies, já agora... Whitey Bulger, já agora Steve Coonan,
pois, South Boston, ai como eu sou Bela colina Azúlea cinza e perigosa Lá
percorri E para
sul: Rua do Norte Hostel marisqueira aché Cohiba Alface Hall Cobalto Corgo Alto
Coturno? Travessa de Esperança ristorante italiano Adega Machado Fado fado fado
Bad bones tatoos Baco Alto. Baco Alto? Ouvir melhor: Cê viu a mesma casa? Já,
já-já... São Já Está O Farta Brutos, sim, o Farta Brutos Isto em tempo de farta
Brutus é monta Querem o quê? Tempos não são tempo Não entendem? Não explico
Olhem o Leitão & Irmão Wine Lover, isso! Está bem está... Isso, Severa Fado,
isso! Isso sim, Severa Fado Severa a escrita encarnado Vende a tempo antigo Cor
portuguesa como o meu pêlo Verde o maço de Marlboro Sou lobo não sou
tradicionalista Não sigo. Não sigo nem deixo de seguir O vazio & Trendy
Bliss Lisbon Apartments Metálica opaca ó Pá tanto faz aqui como em Pasteur
Assim como assim Não é nada é nada Afinal O Cantinho das Gáveas Nesse Estádio
já não entro Onde havia amendoins antigamente onde fumavas O Mike e o Armando
anarca Tinha estado com o Luiz Pacheco e toda a gente que não conheci Lá não
estava mas estava Sim, falo de ti E a jukebox ai ai ai a jukebox agora agora
ouvem mais a jukebox do que quando a jukebox existia fazem bem Usar do instinto
da sobrevivência não conhecem a forma As formas como Lisboa é manada em
texturas das suas peles Não conhecem nada não têm culpa vão conhecendo, é isso
Clichés noites perdidas a mil paus granadas. Não? Meu amigo: 1913, vai pó
caralho, ok? Sou Lobo, não um amendoím temporal ou se quiseres palhaços, um
amendoim em temporal: tu! Porquê? Comia-te em cerveja. Cuspia-te até a beber
uma Cristal ó contingência Santa Contingência Vem-me a mim
Via-me a mim mas
eu não estava Então como então agora presente sempre presente Acendo o lume
ainda me fogem... Ofendem Não estão a ver a minha casa nem as suas A verdadeira
face, como se diz, sou lobo, não contautor de anedotas – ainda por cima as
vossas
Antes diria
morram, morram todos ou vivam agora todos
Kebabs Ai ai,
uivo a isso! Olhem bem para o exemplo da Taberna Minhota Bitoque costeleta de
novilho Ameijoas à Bolhão Pato Falafel durum vegetarian pita kebab Durum
durum... Pastel de bacalhau o dobro do tamanho e a Ginjinha a êro e meio...
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