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domingo, 17 de maio de 2020

JAMES HILLMAN





– At least we have souls, but no one says we are souls.

– The instincts are mythical beings, suberb in their indefiniteness.

– Truth is always in poetic form; not literal but symbolic. The alternative to literalism is mistery.

– The soul can exist without its therapists but not without its afflictions.

– Soul is distinct from body because soul may not be identified with any literal presentation or perspective.

– The soul of our civilization depends upon the civilization of our soul. The imagination of our culture calls for a culture of the imagination.

– Emotion is a gift that comes by surprise, a mythic statment rather than a human property.

– The world and the gods are dead or alive according to the condition of our souls.

– Just as we do not create our dreams, but they happen to us, so we do not invent the persons of myth and religion; they, too, happen to us.

– Dreams are important to the soul; what does seem to matter to the soul is the nightly encounter with a plurality of shades in an underworld, as if dreams prepared for death, the freeing of the soul from its identty with the ego and the waking state.

– What we learn from dreams is what psychic nature really is – the nature of psychic reality: not I, but we; not one, but many. Not monotheistic consciounsness looking down from its mountain, but polytheistic consciousness wandering all over the place.

– The implicit connection between having ideas to see with and seeing ideas themselves suggests that the more ideas we have, the more we see, and the deeper ideas we have the deeper we see.

– Trusting our feelings means obeying our grandfather and grandmother more than the gods within ourselves: our reason and experience.

– Without speech we loose soul, and human being assumes the fantasy being of animals.

– Renaissence man is now called the shadow, or the id, or the natural, instinctive, creative darkside.

– To let the dephts rise without our systems of protection is what psychiatry calls psychosis: the images and voices and energies invading the emptied cities of reason which have been depersonified and demythologized and so have no containers to receive the divine influxes. The Gods become diseases.


E muito, muito, muito mais.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

DON WINSLOW, THE POWER OF THE DOG





Conheci Don Winslow pela sua posição a favor da legalização de todas as drogas. Fiquei a gostar logo dele. Depois fiei-me no escritor Rodrigo Fresán, argentino entusiasta de escritores a valer, de Ricardo Piglia a James Ellroy. Ora quando Fresán fala em "The Power of The Dog", de Don Winslow, ficamos com a nítida ideia que estamos perante a urgência de algo “maior que a vida”. Sua trilogia começa no final dos anos setenta com a constituição dos cartéis, continuará com o descomunal poder do famoso narcotraficante El Chapo Guzmán, no segundo livro, até ir desaguar ao presente, esse mar aberto de inquietações apocalípticas com Donald Trump ao tempero. E se os Estados Unidos se queixam da droga que chega às toneladas do sul, o México protesta contra a brutalidade das armas que entram do norte para encher suas ruas de sangue e morte. À violência crescente e refinada intuída por Roberto Bolaño em 2666, Don Winslow prefere responder de um modo mais gráfico, chamando os nomes aos bois, truncando apenas alguns bocados de realidade pelas voltas do enredo. Mas não sobra migalha. E na pena de Winslow não faltam recursos, muito menos huevos, para ir directo à carótida do problema. Mas nada melhor que puxar pelo bom do Rodrigo Fresán, velho amigo de Bolaño e genuíno adepto da maquinaria literária de Winslow: «El Poder del Perro (The Power of the Dog) es una de esas novelas en las que nos se va a vivir mientras las lee y – la tasa de mortalidad de sus páginas por momentos quita el aliento – mientras que los leídos van siendo acribillados o despedazados o vuelan por los aires o sometidos a torturas (ya comprenderán a lo que me refiero) de una creatividad católicamente diabólica. Pensar en el Poder del Perro como la versión adicta y adictiva de La Guerra y La Paz haciendo hincapié de lo primero. Mejor aún: El Poder del Perro como la Guerra y La Guerra.»



[tradução para espanhol de Eduardo G. Murillo, Roja y Negra]


domingo, 28 de abril de 2019

TERRA

As massas e seus dirigentes não se dão conta de que não há uma diferença substancial entre chamar ao princípio do mundo «masculino» ou pai (espírito) ou chamá-lo «feminino» ou «mãe» (matéria). Sabemos tão pouco dos dois. Ambos têm sido símbolos numinosos desde o dealbar da mente, sua importância radica em sua numinosidade, não em seu sexo ou outros atributos casuais.(...) Um conceito como «matéria física», despojado da sua conotação numinosa de «Grande Mãe», já não expressa o vasto significado emocional da «Mãe Terra». Trata-se de uma terminologia meramente intelectual, seca como o pó, sumamente desumana. Do mesmo modo, «espírito» identificado como «intelecto» deixa de ser Pai do Todo. Degenera até reduzir-se à limitada mente do ser humano, e a imensa energia emocional expressa na imagem do «nosso Pai» desaparece pelas areias do deserto intelectual. 
Mediante a compreensão cientifica o nosso mundo desumanizou-se. O ser humano sente-se isolado no cosmos. Já não está abrigado pela natureza e perdeu perdeu a sua participação emocional nos acontecimentos naturais que traziam antes um significado simbólico.(...)
O ser humano já não tem uma alma-bosque que o identifique como um animal selvagem, Sua comunicação imediata com a natureza desapareceu para sempre, e a energia emocional que essa comunicação gerava afundou-se no inconsciente. 



Carl Jung



[a partir da tradução para castelhano de "Symbols of Transformation"]

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

...



«Se depois de atingir o estado de Buda, alguém no meu país
         for lançado na prisão por vagabundagem, que eu não 
         atinja a mais alta e perfeita iluminação.

         patos selvagens no pomar
         geada na relva nova 


«Se depois de atingir o estado de Buda, alguém no meu país
         perder um dedo a engatar vagões de carga, que eu não
         atinja a mais alta e perfeita iluminação.

        olho de água alvoroça-se
        sacudida pela rédea
        ferraduras brilhantes escouceiam
        artelhos trémulos: rocha  esquiva  abaixo


«Se depois de atingir o estado de Buda, alguém no meu país
         não conseguir apanhar uma boleia em todas as direcções
         que eu não atinja a mais alta e perfeita iluminação

        rochas molhadas zumbindo
        chuva e trovejo a sudoeste
        cabelo, barba, zumbindo
        vento  chicoteia  pernas nuas
        devíamos voltar
        não voltamos.



Gary Snyder  "Antologia da Novíssima Poesia Norte Americana", tradução Manuel Seabra, Editorial Futura,1973

sábado, 22 de setembro de 2018

       




“The world is like a ride in an amusement park, and when you choose to go on it you think it's real because that's how powerful our minds are. The ride goes up and down, around and around, it has thrills and chills, and it's very brightly colored, and it's very loud, and it's fun for a while. Many people have been on the ride a long time, and they begin to wonder, "Hey, is this real, or is this just a ride?" And other people have remembered, and they come back to us and say, "Hey, don't worry; don't be afraid, ever, because this is just a ride." And we … kill those people. "Shut him up! I've got a lot invested in this ride, shut him up! Look at my furrows of worry, look at my big bank account, and my family. This has to be real." It's just a ride. But we always kill the good guys who try and tell us that, you ever notice that? And let the demons run amok … But it doesn't matter, because it's just a ride. And we can change it any time we want. It's only a choice. No effort, no work, no job, no savings of money. Just a simple choice, right now, between fear and love. The eyes of fear want you to put bigger locks on your doors, buy guns, close yourself off. The eyes of love instead see all of us as one. Here's what we can do to change the world, right now, to a better ride. Take all that money we spend on weapons and defenses each year and instead spend it feeding and clothing and educating the poor of the world, which it would pay for many times over, not one human being excluded, and we could explore space, together, both inner and outer, forever, in peace.”


segunda-feira, 16 de julho de 2018

FUTEBOL AO SOL E À SOMBRA


     



  


Gostava de o ter lido agora, o que diria e o que não diria sobre Mbappé, Modric, Pickford, Perisic, Kanté, Hazard, Lukaku. Sobre o mundial de Putin, sobre a tenacidade da selecção russa, da pálida Argentina somada à eliminação do maior lote de favoritos da história, dos heróis da Bélgica e da Croácia. Das cambalhotas do patético Neymar. 
Este foi o primeiro mundial sem uma palavra de Eduardo Galeano. Do que escreveu ele e mais uns bons quantos ficamos a saber que o futebol é tão bom jogo como bom molde para a  literatura.


domingo, 17 de junho de 2018

O PESADELO DE WILLIAM BLAKE




¿Y a quién le importa decir la verdad cuando lo único que importa en el siglo XXI es que te crean? El gran triunfo de la máquina sobre nosotros no son las fake news, las mentiras que se multiplican hasta que se convierten en verdad, sino la docilidad con la que nos hemos adaptado a ellas. 

[Aqui.]

quinta-feira, 7 de junho de 2018

           

              


                                         "La ilusión es la forma perfecta."




Ibn `Ammâr



[O Meu Coração é Árabe, Adalberto Alves, Assirio & Alvim, 1998]

sábado, 25 de novembro de 2017






- Há livros que são injustamente esquecidos; nenhum é injustamente lembrado.

- A mão busca constantemente um pretexto para deter-se.

- Muitos escritores sofrem de vez em quando de ataques de falsidade, tal como outros sofrem períodos de insónia. O remédio em ambos os casos é bastante simples: se não se consegue dormir, há que mudar a dieta; se não se consegue escrever, há que mudar as companhias.

- Alguns escritores confundem autenticidade, ao qual devem sempre aspirar, com originalidade, da qual ninguém se deveria preocupar.

- Pouco talento basta para enxergar o que está mesmo em frente ao nosso nariz, mas é preciso muito para saber em que direcção apontá-lo.

- O poeta não deve apenas cortejar sua musa, senão também a sua dama: a filologia.

- A impossibilidade de definir a relação, junto à impossibilidade de negá-la, constitui a essência dos versos.

- É algo frívola a ideia de ler apenas os grandes poemas. As obras-primas devem guardar-se para as festividades mais importantes do espírito.

- Nunca se saberá do que se é capaz de escrever se não se tem uma ideia geral do que é preciso escrever.

- O poema é um rito: daí seu carácter formal e ritual. O uso que se faz da linguagem é deliberado e ostensivamente diferente da fala comum. Incluindo quando se empregam a entoação e o ritmo da conversação, faz-se com uma informalidade deliberada, propondo a norma com a qual se pretende produzir um contraste.

- Se há poucos artistas "comprometidos", é porque seu modo de vida não os compromete: para bem ou para mal, não pertencem de todo à cidade.

- O ideal da civilização é a integração num todo do maior número possível de actividades distintas com a menor tensão possível entre elas.

- Se uma civilização se joga segundo o duplo padrão do grau de diversidade obtido com o grau de unidade conservado, dificilmente resulta exagerado afirmar que os atenienses do século V a.C. foram as pessoas mais civilizadas que alguma vez existiram.

- A fonte da poesia há de buscar-se, como afirmou Yeats, «na quinquilharia suja do coração».

- Na maioria das manifestações de patriotismo é impossível distinguir uma das maiores virtudes - o amor à pátria -, do pior dos vícios humanos: o egoísmo colectivo.


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

À Cunha



Continua a implementar a sua abordagem revolucionária à pressão alta: correr do ponto a ao ponto b à mesma velocidade com que a bola é trocada entre o adversário no ponto a e o adversário no ponto b, de forma a conseguir pressioná-los alternadamente, mas, na prática, ao mesmo tempo. É um processo tão contra-intuitivo e, por um par de ocasiões, deixou os jogadores da Juventus tão incrédulos que acabaram por entregar a bola a Acunã e foram reflectir um bocadinho. Terá jogos mais influentes ofensivamente, marcará mais golos, fará mais assistências, mas suspeita-se que os seus lances paradigmáticos serão sempre parecidos com o do minuto 49, quando veio fechar ao meio, recuperou uma bola na meia-lua, passou por Pjanic em velocidade e desmarcou Dost, tudo em menos tempo do que demora a dizer "nove milhões extremamente bem gastos".

Ou, por exemplo, a semana passada:

Adoptou alguma da aura polivalente de Bruno César, com a (significativa) diferença de que, enquanto Bruno César podia ser médio-ala, médio-centro e defesa-lateral no mesmo jogo, Acuña pode ser médio-ala, médio-centro e defesa-lateral na mesma jogada. É uma situação de superioridade numérica em forma humana. É possível que a sua esposa esteja a praticar poligamia apenas por ser casada com ele.


Rogério Casanova, aqui

segunda-feira, 5 de outubro de 2015


- We have a right to set limits. We feel too guilty in Europe -- our multicultural tolerance is the effluent of a bad conscience, of a guilt complex that could cause Europe to perish. The greatest threat to Europe is its inertia, its retreat into a culture of apathy and general relativism. I am dogmatic in that sense. Freedom cannot be sustained without a certain amount of dogmatism. I don't want to cast doubt on everything or question everything. That's why I am also against every form of political correctness, which attempts to control something that should be a part of our moral substance with societal or legal bans.

 - Multiculturalism, with its mutual respect for the sensitivities of the others, no longer works when it gets to this "impossible-à-supporter" stage. Devout Muslims find it impossible to tolerate our blasphemous images and our disrespectful humor, which constitute a part of our freedom. But the West, with its liberal practices, also finds forced marriages or the segregation of women, which are a part of Muslim life, to be intolerable. That's why I, as a Leftist, argue that we need to create our own leading culture.

 - We are attached to our idiosyncrasies. But we have to recognize that the particular is based in a contingency, a happenstance that isn't substantial to the self. Universality is the opening to a radical contingency.

 - Individual hedonism and fundamentalism are mutually driving each other. You can only effectively combat fundamentalism with a new collective project of radical change. And there is nothing trivially hedonistic about that.

 - My answer is to struggle. Empty universality is clearly not enough. The clash of cultures should not be overcome through a feeling of global humanism, but rather through overall solidarity with those struggling within every culture. Our struggle for emancipation should be coupled with the battle against India's caste system and the workers' resistance in China. Everything is dependent on this: the battle for the Palestinians and against anti-Semitism, WikiLeaks and Pussy Riot -- all are part of the same struggle. If not, then we can all just kill ourselves.

Slavoj Žižek, aqui.

sábado, 5 de setembro de 2015

Telemóvel...


Michel Houellebecq em O Rapto de Michel Houellebecq.

- Não fazes nada, aborreces-te e alguma coisa vai acabar por acontecer na tua cabeça, as ideias vêm. As palavras vêm do vazio. 
- E consegues criar o vazio?
- Sim, mas tem de se ter as condições certas. Por exemplo, não vais escrever um livro agora porque esperas uma chamada e isso inquieta-te...



ELLA REINA SOBRE TODAS LAS DESTRUCCIONES

Qué me lleva hacia ti.
El sueño que se convierte en pesadilla.
El rumor del mar y de las ratas
En la fábrica abandonada.
Saber que después de todo estás allí, 
En la oscuridad. Sola y con los ojos abiertos.
Como el pájaro leproso, el pájaro cagado
De las historias de terror de nuestra infancia.
Firme. No: ondulante, como las luces
Más allá del bosque, más allá de las dunas.
Las luces de los automóviles
Que toman la curva y luego desaparecen.
Pero tus ojos no son como los ojos
De los conductores. Ellos
Se deslizan plácidamente hacia el hogar
O la muerte. Tú estás fija en la oscuridad:
Sin luces ni promesas. Las ratas velan tu mirada.
Las olas velan tu mirada.
El viento que levanta remolinos en los linderos
Del bosque me llevan hacia ti: apenas
Una señal ininteligible en el camino de los perros. 

Roberto Bolaño, em La Universidad Desconocida, ANAGRAMA - Narrativas hispánicas



A little room on 7th street is getting cold
And secrets sing like mescaline
They don't get old
I saw a pattern on a blanket just the other day
It looked just like the pillow you threw away

terça-feira, 1 de setembro de 2015


OUTRA DIVAGAÇÃO

Onde estão os que o silêncio oculta?
Pergunta ao silêncio, se for a tua hora,
e com seus lábios o silêncio te falará.
Ao silêncio não podes responder-lhe
se não for com o silêncio que tu sabes
onde encontrar. Aí o silêncio habita
e neles estão os que o silêncio ouviram. 

Fernando Ortiz em Poesia Espanhola de Agoratrad. Joaquim Manuel Magalhães, Relógio de Água, 1997