Revista Palavra Comum, round 3, mais um conto de Praia Lontano, o conto policial diurno da colecção. Grato a Tiago Alves Costa pelo convite.
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sexta-feira, 19 de julho de 2019
quarta-feira, 15 de maio de 2019
MANHÃ PISCINA CAIXA GRAVAÇÃO PALAVRA COMUM
A convite do Tiago Alves Costa volto a publicar um conto para a Revista Palavra Comum.
Desta feita é o último de Praia Lontano e o mais experimental da colecção.
quarta-feira, 1 de maio de 2019
LOBO À COLINA PARA ALCÂNTARA, PALAVRA VIVA
Um conto ao conto que merece ser ouvido. Lobo à Colina para Alcântara.
Por Nuno Góis. Palavra Viva. Uivo a isso.
segunda-feira, 15 de abril de 2019
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
Billie Holiday e Louis Armstrong e Tom Waits e Leonard Cohen. Depois também Pink Floyd e Dire Straits e King Crimson (“Moonchild”, nem por acaso). O locutor não sei se bebia pouco, se bebia muito, se sequer bebia, sua voz, porém, trazia o decoro do whisky aliado à pujança contida de algum cowboy solitário. Forte e encorpada, mas ao mesmo tempo terna e discreta quanto baste para se exibir pouco, para deixar para no(s) ar(es) o(s) subentendido(s). Não dar nas vistas e ao mesmo tempo inebriar esse ouvinte desconhecido da noite. Partilha de solidão, não solidão de partilha. Sim, há uma poesia da rádio. Poesia que pode nem sequer ser poema. Pode ser voz, música, apenas som, só a noite na Terra. Como um bom vinho que ampara a insónia mais profunda, que não adormeça o incauto, mas também não o desperte por aí além, mantendo-o alerta nalgum automóvel de qualquer longínqua estrada ou auto-estrada. Também aqui trago a infância a ouvir rádio da noite nas viagens de carro com meu pai, ou já na adolescência, numa tenda a acampar ouvindo o rádio-gravador Sanyo cercado pela caruma dos pinheiros abrigado na suave textura de um saco cama. Lembrar-me e pensar que a rádio, o grande problema da rádio, é mesmo, só mesmo, o esquecer-se de si própria. É o que acontece com tantas emissões diárias, a maioria, já nada de rádio têm, até ao dia em que todas as memórias se apaguem. Nisto a noite ainda é a última barreira, a guarda pretoriana, o último refúgio, seu porto de abrigo das tempestades, estalagem perdida na Antártida, abrigada zona de recolha e silêncio, onde uma voz no ar ainda nos pode servir de farol pelo oceano da noite.
domingo, 7 de outubro de 2018
LIBRARÍA PEDREIRA
Meus livros Estrada dos Prazeres e Praia Lontano já se encontram em Santiago de Compostela.
Na Libraría Pedreira - Rúa do Home Santo, 55: https://www.librariapedreira.com/
sábado, 29 de setembro de 2018
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
terça-feira, 11 de setembro de 2018
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
sábado, 1 de setembro de 2018
Uniam-nos os romances de John Le Carré. Agradava-me sobremaneira essa passagem sensível dela, por exemplo, entre a beleza sublime de uma interpretação de Haendel e a alta política pura e dura da espionagem. Não a podendo interpretar musicalmente, surpreendia-se com a minha elaboração na descodificação de enredos. E quanto mais intrincados melhor, ainda me tornava mais elaborado. Até já evitava ler policiais, prudência minha, pudera, sempre tivera medo de me denunciar. Por mais absurdo que possa parecer, não queria deixar a mais pequena ponta solta... Já me chegava quando sentia toda a quantidade de dinheiro que tinha (e ainda terei) a entrar dentro da nossa casa. Só de pensar na batalha que tive de travar comigo até revelar o que realmente se passava... O que era a verdade dentro da verdade… O que era a verdade dentro da mentira… Só o pensar… Acabou por custar menos do que pensava. É que no fundo sabia, Aurora sentia, pressentia, cheirava, a caça eminente, a emergente necessidade de fuga, o meu esconder-me nas mais fundas pedras da minha angústia, até da minha doença, pois adoeci, não era vírus, virose, parasita, bactéria nenhuma.
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
Vem o Cozido à Portuguesa acompanhado a shots de vodca. Música para o ouvido dos russos. Este grupo adora a cozinha portuguesa, conhece os bons restaurantes, dos mais caros aos baratos. Fazem quilómetros se sabem que o melhor leitão está em Viseu. Vão se for preciso ir até Trás-os-Montes só para comer aquele Cabrito Assado no Forno. Metem-se no carro até Aveiro só por causa de um certo bacalhau na Costa Nova. O louro calmeirão Marat Andreichev é quem manda e toma a palavra. Ele e o mal-encarado Xico Chino. «Mesmo bom. Cozinha portuguesa mesmo bom.» «Este cozinheiro faz o melhor Cozido à Portuguesa de Lisboa e arredores.» «Porquê Lisboa e arredores?» «Já comi melhor no norte. Valpaços, um dia levo-os lá.» «Então Valpaços cozido bom. Cozido com Vodca, Valpaços?» «Cozido com tudo o que quiserem.» «Ahahahaha ahahaha!» Mais uns quantos a rir, a rir em uníssono. Mais penaltis de vodca. «Onde é que anda Barbosa?», perguntou Andreichev. «O Barbosa anda lá nos negócios dele.» «Bom dinheiro. Barbosa bom dinheiro.»
domingo, 26 de agosto de 2018
Ar para respirar, apenas nas pequenas réstias de branco de folha não preenchida – qual parque natural cheio de verde e lagos e cantares de pássaros, depois de uma fábrica de celulose. Eram réstias que José via e não resistia a preencher, sempre era mais uma oportunidade de poder reciclar mais alguma tanta furibunda energia. Fosse ele um Pessoa ou um Kafka, ninguém o decifraria escrito. Morto estivesse, morta estaria toda uma literatura. Um escritor assim morto encerraria, para a eternidade, a chave do seu enigma, e os enigmas do túmulo não passam disso mesmo, ou melhor, dali mesmo, do túmulo, do que se alimentam as bactérias. De resto, tumulares também eram todas as folhas de todos os seus cadernos de hieroglifos ilustrados – gatafunhos que até poderiam ter em si os mais graciosos e belos sonetos de um trovador lírico, que a melhor imagem que dali adviria andaria mais próxima da impressão poluída de um qualquer tubo de escape da pior Hong Kong onde se consiga estar...
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
Onze da manhã, Céu apareceu. Ricardo, sentado na esplanada, lia um livro de Stephen King. Vidrado pelo suspense, absorvido na leitura, limitou-se a constatar a namorada com um ténue movimento de olhar e um olá inaudível, como se estivesse numa biblioteca onde não pudesse fazer barulho. Ela sentou-se, pediu sumo de laranja, ele não tencionava pedir nada, mas deu por si a pedir um leite achocolatado, tão automático como indiferente, nem se lembraria mais tarde do pedido. Ricardo só via as linhas escritas, a telepatia de que falava King no seu On Writing surtia efeito, Céu estava fora desse encontro das mentes.
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