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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Pesa? Amputa-se

Como já é por demais sabido, ao número de mortes indirectas por medidas criminosas desde DesGoverno, somam-se agora os bombeiros deste ano

E é até redundante dizer que foram lançados avisos 

E o Tribunal Constitucional chumba mais uma medida, só quem é ingénuo ou anda a dormir pode achar que não fora antecipada como mote para nova farsa

E que acabado o mês, é só esperar mais um pouco. Primeiro as autárquicasÓbvio, previsível, aguardem.

Aqui há tempos, não sei precisar quem, comparou a política de cortes cegos deste DesGoverno com o absurdo e irracionalidade de um médico que perante alguém com excesso de peso mandasse cortar uma perna e assim ficava o problema resolvido. É de eficácia comprovada. 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O Grande Culpado

Era imensa a treta do consenso à volta do desGoverno no início do mandato. Também não era mentira nenhuma. Pedro Passos Coelho tinha tudo menos os partidos mais à esquerda que tinham acabado de dar um jeitão no assalto ao poder. Durou pouco, muito pouco, que o programa da troika é o programa do governo e queremos ir além da troika, emigrem, o desemprego é uma oportunidade, há que sair da zona de conforto, não sejam piegas, entre tanto e tanto mais.  

Mudemos a agulha, seguiram-se os partidos, acima de todos o PS. Depois a própria Constituição: dois anos, dois orçamentos anti-constitucionais, cada cavadela, cada minhoca. Os sindicatos, as associações patronais. Os alvos a abater: reformados, pensionistas e funcionários públicos. O Tribunal Constitucional. Tanto comentador, analista ou tudólogo e este governo era apenas incompetente, irracional, incoerente. O mais óbvio, cristalino e verdadeiro adjectivo é que nunca foi usado, também não o vou usar aqui, a incompetência defende-o bem, é que mesmo para isso são precisas mãozinhas... 

Fiquemos pelo rufia político - que se fez com Relvas, mas não só - o perfeito imbecil - aquele que acha que por esticar a corda esta deixa de se partir. A verdade é que parte, parte mesmo. 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Parecer Vítor Gaspar



Diz o ditado que à mulher de César não basta ser séria, tem de o parecer. Ao Ser Vítor Gaspar ajudou o próprio mérito, pois estudou, queimou pestanas, inspirou-se a fundo nas escalas do Friedman. Já na condição do Parecer ainda se distinguiu mais, de tão sério que parece. Atente-se na fruição, no talento de adormecer em números o deleite sádico pelo sacrifício alheio. Ou na "coragem" em desgraçar umas boas centenas de milhares de vidas. O Ser e o Parecer Gaspar fundem-se aqui no Infalível Gaspar
Consta que já em 1993 não (se) acertava (uma). Nada que impedisse o Ser de ir fazer carreira no BCE. E como de afinidades e fanatismos enche o tempo o ar, acabou ministro das finanças de um primeiro-ministro eleito no esplendor da falácia e aldrabice - nesse, faça-se justiça, o que parece é: um biltre, uma espécie agressiva de hipócrita, a descrição bem focada da besta quadrada, a alta definição do perfeito imbecil. 
Agora anda tudo muito esquecido, mas eu vi, vi e gravei. A propaganda massiva meses a fio, ele era Silva Lopes, João Duque, Cantiga Esteves, Miguel Beleza ou mesmo Medina Carreira, entre tantos outros que se derretiam entre o "homem sério", a "excelente escolha", o "não podia se podia ter acertado melhor". "Parabéns Portugal", o melhor povo do mundo tinha pois a obrigação de engolir a dose do impressionante Gaspar, pura quimioterapia com laivos de selvajaria social que só podia dar em desastre económico, recessão profunda e desemprego galopante. E foi. Foi tudo o que qualquer um adivinhava: uma recessão (pelo menos) ao dobro do previsto, 350 mil desempregados assim como que por defeito. Tanto que o próprio Parecer Gaspar prevê agora décadas de sacrifício e uma geração perdida, isto para o Ser Gaspar continuar a parecer o tal impressionante homem sério. Porque aqui qualquer pessoa séria podia acabar num haraquiri, ou no mínimo fugia do país, ou no mínimo dos mínimos demitia-se, ou no mínimo do mínimo dos mínimos era imediatamente posto no olho da rua. Não o julguem incompetente, Vítor Gaspar é muito mais que isso, ou muito menos se quiserem ou virem a coisa de outro ângulo. Depende só da calibragem. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A liturgia deve ser entoada numa língua misteriosa


Ao menos a guerra, como o racismo, proporciona escolhas morais claras. Mesmo hoje, a maioria sabe o que pensa da acção militar ou do preconceito racial. Mas no palco da política económica, os cidadãos das democracias actuais aprenderam a ser demasiado modestos. Fomos avisados de que isso são assuntos para capitalistas: que a economia e as suas implicações políticas estão muito para além do entendimento do homem ou mulher comuns – um ponto de vista reforçado pela linguagem cada vez mais obscura e matemática da disciplina.
É improvável que muitos “leigos” questionem nessas matérias o ministro das finanças, on secretário do Tesouro ou os seus conselheiros especialistas. Se o fizessem, dir-lhes iam – à maneira de um padre medieval a aconselhar o seu rebanho – que isso são questões com as quais não precisam de se preocupar. A liturgia deve ser entoada numa língua misteriosa, só acessível aos iniciados. Para todos os demais, basta a fé.


Tony Judt, Um Tratado Sobre Os Nossos Actuais Descontentamentos, Edições 70 (2010)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Novilíngua - Português


Podemos culpar os políticos que vivem em estado de negação e esquecermos que os políticos que temos são os políticos que merecemos, que nós colectivo os pusemos lá, nós colectivo, eu sei, é uma aberração de enganados. Negar a negação é a prova dos nove da maioria. A constatação a papel químico que o mal é visto mas ignorado como incómodo alheio. Passado reflectido em futuro, estava à vista o carimbo. E ainda se aliviam na caridadezinha. Não, não quero ir para o Marquês de Pombal fazer a revolução. Não, falo em ver passar navios. Navegam, pois navegam. Levam chocolate laxante, risos para queimar calorias, amor para a longevidade. Falam-nos não sei se é jargão se é calão: desalavancagem, ajustamento, crescimento negativo. No barco dizem que há alguns colaboradores invisuais. Não encontram significados em lado nenhum. Está para sair um dicionário da novilíngua. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Chama-lhe Sacrifícios

Adão Silva (Bragança), Adriano Rafael Moreira (Porto), Afonso Oliveira (Porto), Amadeu Soares Albergaria (Aveiro), Ana Oliveira (Coimbra), Ana Sofia Bettencourt (Lisboa), Andreia Neto (Porto), Ângela Guerra (Guarda), António Leitão Amaro (Lisboa), António Prôa (Lisboa), António Rodrigues ( Lisboa), Arménio Santos (Viseu), Assunção Esteves (Lisboa), Bruno Coimbra (Aveiro), Bruno Vitorino (Setúbal), Carina Oliveira( Santarém), Carla Rodrigues (Aveiro), Carlos Abreu Amorim (Viana do Castelo), Carlos Alberto Gonçalves (Europa), Carlos Costa Neves (Castelo Branco), Carlos Páscoa Gonçalves (fora da Europa), Carlos Peixoto (Guarda), Carlos Santos Silva (Lisboa), Carlos São Martinho (Castelo Branco), Clara Marques Mendes (Braga), Cláudia Monteiro de Aguiar (Madeira), Conceição Bessa Ruão (Porto), Correia de Jesus (Madeira), Couto dos Santos (Aveiro), Cristovão Crespo (Portalegre), Cristovão Norte (Faro), Cristovão Simão Ribeiro (Porto), Duarte Marques (Santarém), Duarte Pacheco (Lisboa), Eduardo Teixeira (Viana do Castelo), Elsa Cordeiro (Faro), Emídio Guerreiro (Braga), Emília Santos (Porto), Frenando Marques (Leiria), Fernando Negrão (Braga), Fernando Virgílio Macedo (Porto), Francisca Almeida (Braga), Graça Mota (Braga), Guilherme Silva (Madeira), Hélder Sousa Silva (Lisboa), Hugo Lopes Soares (Braga), Hugo Velosa (Madeira), Isilda Aguincha (Santarém), Joana Barata Lopes (Lisboa), João Figueiredo (Viseu), João Lobo (Braga), João Prata (Guarda), Joaquim Ponte (Açores), Jorge Paulo Oliveira (Braga), José de Matos Correia (Lisboa), José de Matos Rosa (Lisboa), José Manuel Canavarro (Coimbra), Laura Esperança (Leiria), Lídia Bulcão (Açores), Luís Campos Ferreira (Porto), Luís Leite Ramos (Vila Real), Luís Menezes (Porto), Luís Montenegro (Aveiro), Luís Pedro Pimentel (Vila Real), Luís Vales (Porto), Margarida Almeida (Porto), Maria Conceição Pereira (Leirie), Maria da Conceição Caldeira (Lisboa), Maria das Mercês Borges (Setúbal), Maria Ester Vargas (Viseu), Maria João Ávila (fora da Europa), Maria José Castelo Branco (Porto), Maria José Moreno (Bragança), Maria Manuela Tender (Vila Real), Maria Paula Cardoso (Aveiro), Mário Magalhães (Porto), Mário Simões (Beja), Maurício Marques (Coimbra), Mendes Bota (Faro), Miguel Frasquilho (Porto), Miguel Santos (Porto), Mónica Ferro (Lisboa), Mota Amaral (Açores), Nilza de Sena (Coimbra), Nuno Encarnação (Coimbra), Nuno Filipe Matias (Setúbal), Nuno Reis (Braga), Nuno Serra (Santarém), Odete Silva (Lisboa), Paulo Batista Santos (Leiria), Paulo Cavaleiro (Aveiro), Paulo Mota Pinto (Lisboa), Paulo Rios de Oliveira (Porto), Paulo Simões Ribeiro (Setúbal), Pedro Alves (Viseu), Pedro do Ó Ramos (Setúbal), Pedro Lynce (Évora), Pedro Pimpão (Leiria), Pedro Pinto (Lisboa), Pedro Roque (Faro), Ricardo Baptista Leite (Lisboa(, Rosa Arezes (Viana do Castelo), Sérgio Azevedo (Lisboa), Teresa Costa Santos (Viseu), Teresa Leal Coelho (Porto), Ulisses Pereira (Aveiro), Valter Ribeiro (Leiria), Vasco Cunha (Santarém), Abel Baptista (Viana do Castelo), Adolfo Mesquita Nunes (Lisboa), Altino Bessa (Braga), Artur Rêgo (Faro), Helder Amaral (Viseu), Inês Teotónio Pereira (Lisboa), Isabel Galriça Neto (Lisboa), João Gonçalves Pereira (Lisboa), João Paulo Viegas (Setúbal), João Pinho de Almeida (Porto), João Rebelo (Lisboa), João Serpa Oliva (Coimbra), José Lino Ramos (Lisboa), José Ribeiro e Castro (Porto), Manuel Isaac (Leiria), Margarida Neto (Santarém), Michael Seufert (Porto), Nuno Magalhães (Setúbal), Raúl de Almeida (Aveiro), Telmo Correia (Braga), Teresa Anjinho (Aveiro), Teresa Caeiro (Lisboa) e Vera Rodrigues (Porto). 

Via Arrastão

Ai passa, passa!

Acabou finalmente o argumento da "incompetência", da "gasolina para a fogueira", da "irracionalidade" das medidas, entre tantas simpatias que nos fartámos de ouvir em repeat e alternância nas suas possíveis e múltiplas variações. Agora só não vê quem não quer o fanatismo ideológico disfarçado num  pacote à medida  dos escombros de onda possa finalmente emergir o "homem novo". Tivessem lido as entrelinhas, o "custe o que custar", o "que se lixem as eleições", o "queremos ir além da Troika", o "sejam menos piegas", o "desemprego pode ser uma oportunidade", o "emigrem professores que diz que nos PALOP precisam". Falo na maioria dos moderados mainstream porque para o resto temos os caceteiros mainstream, os Cantigas Estevez, João Duques e Blasfemos deste vida, entre outros, a maioria . E o patético e perigoso Fernando Ulrich que depois de achar que os nossos impostos deviam pôr os desempregados a trabalhar para o BPI continua a chamar um figo à austeridade. Dá mesmo que pensar o quanto Passos, Relvas e Gaspar se devem ter deliciado com tanta análise branda, tanta vista grossa, via-se o quadro, o cenário, tudo. Bem diz o ditado que os cães ladram e a caravana passa. Ai passa, passa! Por enquanto passa.  

sábado, 27 de outubro de 2012

Chama-lhe Mercados




"Os quadros da Goldman Sachs são empurrados para fora da instituição e passam a gravitar na órbita do sistema administrativo. Isso significa que é impossível que votem contra os interesses da Goldman Sachs."

"Têm o poder de arruinar economias como a Grécia. Gira tudo à volta dos mercados dos juros das obrigações. E quando declaram que determinado governo está insolvente as consequências são drásticas. Forçam-no a pedir empréstimos e impõem as medidas de austeridade que empobrecem os países."

"Ninguém alcança poder político sem a aprovação do sector financeiro. Desde o colapso de 2008 vimos que essas instituições são intocáveis. Não podemos fazer nada para as deter. Saquearam o Tesouro dos Estados Unidos e continuam no casino de especulação como antes de 2008."

"São criminosos. No século XVII os especuladores eram enforcados. Mas aqui, todas as instituições, a imprensa, as universidades, os partidos políticos, os sectores executivos do governo, toda a gente dança ao som da música que eles tocam. E não há nada que o cidadão comum possa fazer. Não há nenhum mecanismo dentro das estruturas formais do poder que nos permita lutar contra eles. "

"Estamos a ser destruídos financeiramente, moralmente, politicamente e economicamente por determinadas instituições e o Goldman Sachs é a jóia da coroa dessas instituições. Não conhecem limites, transformam tudo num mercado que exploram até à exaustão ou ao colapso."



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Chama-lhe ajustamento

Gaspar e Passos não assumem essa coisa assustadora do capitalismo ciêntifico da mesma maneira  que  antes de serem denunciados os mafiosos nos Estados Unidos não assumiam sequer a existência dessa coisa assustadora da Cosa Nostra. Porquê? Não podem. Porque é que não podem? Porque assim se quebra o feitiço. Porque é que assim se quebra o feitiço? No crime perfeito, o segredo não é a alma, é a própria condição do negócio.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Chama-lhe metas

Feliz ou infelizmente, a minha crença na incompetência humana não chega à pura e afrontosa canalhice, ao assassinato escondido e à vilania sem escrupulos. Tenho pena. Mais por quem não queira entender que o objectivo desta austeridade é criar ainda mais austeridade para ser necessária mais austeridade e assim sucessivamente em todas as cadências necessárias até que despojados de tudo o que temos e podemos e com tudo o que é bem público privatizado e confiscado chegaremos finalmente ao ponto de rebuçado, à maturação certa para sermos os serventes perfeitos, miseráveis e sem direitos de espécie alguma. É até onde a descida vai dar. Na Grécia a Troika já quer o povo a trabalhar seis dias por semana. Isto como quem não pede outra coisa pior. É tal a perversidade e eficácia clínica desta gente que deixam assustado até o mais optimista. Consegue exactamente o que quer mais uns extras escondidos na manga. Primeiro gera-se a grande controvérsia, depois o povo rejeita em força, depois o Governo diz nem pensar, o barulho torna-se ensurdecedor, aproveite-se então para passar como mal menor o que de outra forma seria bem mais complicado de engolir. O resto é fácil, com austeridade é só esperar o resultado. Um aninho, dois - nada que já não esteja previsto ou “estudado” - será mais que suficiente para passar o que antes era tido como loucura. Pensem no que Vitor Gaspar achava o ano passado das TSU. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Sinais


Henrique FialhoPedro Passos Coelho sugere aos jovens que emigrem ao mesmo tempo que se dirige aos portugueses enquanto pai. Isto já não é mera hipocrisia, é pura crueldade. Mais grave, é uma crueldade que não tem consciência de si própria. Eu não acredito que Pedro Passos Coelho seja sensível o suficiente para ter consciência do que anda a fazer.







quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Esperem bem sentados

A Troika sugere à Grécia mais um dia de trabalho por semana. Por enquanto é só uma sugestão. Lá chegaremos. À mesma estrada, o mesmo destino. Se não nos resolvermos com o que não temos nem podemos tanto pior. Arcaremos com as consequências, os outros, na pior das hipóteses, tentaram apenas ajudar. Porque isto da culpa é, no essencial e até prova em contrário, a de quem arca com ela e não necessariamente a de quem é culpado. A mais um "esforço adicional" será dado outro nome. Só não muda o refrão: se não for assim, tanto pior.

domingo, 15 de julho de 2012

Nugent




Sempre conheci Ted Nugent como um desses poseurs de permanente e cabelo oxigenado cravejados de clichés, solos infinitos de guitarra e aquelas capas de LP inenarráveis. Nunca senti mínima curiosidade em ouvir o que ia lá dentro. Naturalmente que me esqueci do Nugent durante anos, nem sabia se ainda era vivo, assim como não faço ideia onde andam agora os dois gajos dos Hall & Oates. Só há uns meses é que dei com o Nugent, numa entrevista em que um Mark Lanegan meio envergonhado confessou que o primeiro LP que comprou na vida foi do Nugent. Tardou pouco voltei a dar com o Nugent, desta vez num Anthony Bourdain. Tão diferente que não o reconheceria na rua. Mais velho, mais cara de gente, entre um ranger do Texas e uma estrela reformada dos Eagles. Confesso que até simpatizei com o carisma e autenticidade do homem, aquele lado politicamente incorrecto que às vezes faz tanta falta, mas pelo Bourdain, pelas falas, pelas armas, imaginei logo que o Nugent devia estar metido com a pior corja da direita conservadora mais fundamentalista e reaccionária que existe no planeta. Não me enganei: : membro do NRA (claro), paixão exacerbada por Sarah Palin, apaixonado do Tea Party, contra a Segurança Social (vão mas é limpar sanitas, diz ele), anti-Obama primário ("é um comunista que devia estar preso", ; "estarei morto ou na cadeia se ele for reeleito"), a favor da eliminação física (leia-se tiro ao "pombo") dos mexicanos que entram ilegalmente nos Estados Unidos. Em cada três palavras que soletra uma é sobre pátria e moral. Depois há quem diga que achou graça ou, no mínimo, desrespeitou a morte de Kurt Cobain (menos um drogatito) e o assassinato do guitarrista dos Pantera, etcetera e etcetera. Ted Nugent é uma enciclopédia de controvérsias. Ele é Nugent em tudo o que é programa de TV da direita mais conservadora, da dedicada às mais intrincadas teorias da conspiração e também de outros, liberais,  painéis da CNNgritaria na CBS. Ted Nugent diz sempre de sua justiça. 
O problema, porém, é o busílis da questão, e o busílis da questão é que o patriota absoluto que quando se chateia com alguém chama-o logo terrorista ou comunista, que apoia as tropas no Iraque e no Afeganistão, que está constantemente a fazer eco da Segunda Emenda (a do direito de todo o cidadão americano em usar armas, claro), na hora da verdade, na hora da verdade, olha, baldou-se: Ted Nugent baldou-se ao Vietname. Mas nem é a tão humana compreensível balda aqui o que verdadeiramente comove: é o requinte com que o fez. Tivesse fugido para as montanhas, montava uma cabana e podia tocar guitarra e caçar veados à vontade. Mas não, Nugent é muito à frente, preparou-se, elaborou o plano. A história remonta a 1977, quando talvez ainda em fase imatura "inconsciente", Nugent confessou com pormenores que uma das medidas que tomou para escapar ao exame da tropa foi fazer todas as necessidades nas cuecas durante dez dias. Repito: todas as necessidades nas cuecas durante dez dias. Dez dias. Estou a ser educado. Não digo mais nada para não vomitarem. O Nugent é mesmo NugentAgora desmente, como se uma história de merda e mijo a acumularem-se durante dez dias numa área tão curta e restrita pudesse ser estória que se pudesse inventar por dá cá aquela palha. Mas antes fosse, é que não podendo desmentir que desertou, porque desertou, Nugent desculpou-se dizendo que na altura era ignorante e nem sequer sabia o que significava isso do comunismo. Pior a emenda que o soneto: então um fanático patriota daqueles nem sabe o que é o comunismo em tempos de Guerra Fria? Pedro Passos Coelho não conta.

Adenda: outra, Nugent a cobrar dinheiro por autógrafos, a cobrar não, a regatear. Na nota do vídeo diz que é para a caridade. O padrão repete-se. 





terça-feira, 12 de junho de 2012

Mais uma para a estrada

Vi finalmente o documentário “Os Donos de Portugal” que tem que se lhe diga em relação ao estado a que isto chegou versus discurso dominante, ou não, que os dois lados pertencem à mesma moeda. Atente-se no caso de Pina Moura, que do comité central do PCP se converteu em privatizador suspeito de concessões escandalosas nos seus tempos de governo PS, acabando agora a elogiar o "excelente trabalho" deste governo que vive nos antípodas do governo António Guterres de que tomou parte de destaque nas Finanças e não só. 
Há quem diga que os ex-PCP são os piores, outros dizem que são os ex-maoístas. Eu nem uma coisa nem outra. Sei de fonte segura que após o 25 de Abril milhares de pessoas foram-se inscrever no PCP. Achavam que isso é que era estar do lado certo da História. Os diários de Miguel Torga e Vergílio Ferreira dão um cheirinho do fenómeno. Vão lá e leiam. 
Tenho um amigo que parece que me ligou por causa da profusão de postas anti-estemiserávelgoverno que tenho posto no Facebook. Digo parece porque ele entretanto desligou a chamada com uma desculpa de estacionamento. Tinha marcado o seu ponto e se calhar não podia continuar. E eu a pensar que se marimbava... Lembra-me outro que sai para a rua quando o PSD ganha as eleições e um dia disse-me que não era de Direita nem de Esquerda, era é de onde está o dinheiro. Como aqueles que dizem que não são do Sporting nem do Benfica mas vão sempre para o Marquês festejar. Como se apanhando-o num daqueles nojentos regimes comunistas tipo Ceaucescu algum dia viesse também dizer que era é de onde está o trabalhador e o mais longe possível do capital, esse demónio. 
Tem gente que não faz outra coisa na vida: posiciona-se. E não existe coisa mais fácil de dispensar: essa gente. Que é tanta gente. Porque a gente sabe que as coisas são mesmo assim. 

sábado, 26 de maio de 2012

Cãozinho cãozinho



No jantar do Conselho Europeu de quarta-feira, Passos Coelho - contrariando Monti, Hollande, Rajoy, Juncker, o FMI e a OCDE, entre muitos outros líderes e instituições - apoiou Angela Merkel contra as euro-obrigações. O escândalo racional da chanceler alemã é, assim, apoiado pelo mistério irracional do comportamento do primeiro-ministro português. A lógica da subserviência tem na decência, o seu limite moral, e no interesse nacional, o seu absoluto limite político. Passos Coelho está a rasgar todos os limites.

Tirado de aqui

quinta-feira, 17 de maio de 2012

NO BULLSHIT



De alguém como Paulo Pinto Mascarenhas não me surpreende nada. Henrique Raposo a falar em "tugas da choldra" talvez estranhe mais. Digo talvez porque há coisas na direita portuguesa que de tão previsíveis fazem desconfiar até o mais crédulo de todos os crédulos. Raposo  já chamou a "No Reservations" o melhor programa da nossa TV, parto do pressuposto que sabia - como tantas vezes sabe - do que escrevia e não estava a fazer bluff. É que é mesmo muito difícil, senão impossível, dar com "No Reservations" e perceber que o que está ali não são propriamente postais turísticos. Não querendo explicar o tão óbvio - e há tanto de tudo escarrapachado no You Tube - devo dizer que Lisboa até fica muitissimo bem na fotografia num muito bem conseguido episódio e que o elogio à beleza da cidade -  "They don't make cities like this!" -, à excelência da comida e ao lado genuíno e velho desta cidade milenar valem mais do que mil cosméticas para investidores que a nossa direita anda tanto a apregoar - fosse isto há um ano... - e que se há coisa que descreve a persona, a carreira, os programas e os livros de Anthony Bourdain é que o homem não tem contemplações no seu entusiasmo daquilo que gosta, não gosta, sente e pensa em relação a tudo isto aqui agora. Com custos para alguns vegetarianos, adeptos do politicamente correcto, operadores de "luxury travel", entre outros, aos quais parece que acabou de entrar alguma da direita portuguesa.

Deixemos-nos de tretas. Estivessem eles tão preocupados com o que Bourdain quis mostrar de Lisboa e teriam certamente  dado conta do sucesso esmagador dos Dead Combo pós "No Reservations" com três álbuns (três) no top 10 do iTunes conseguidos uma semana após o programa estar no ar. Se isto não é esmagador acerca do sucesso de um produto não sei bem o que é esmagador, nem o que é um sucesso, nem o que é um produto...O que eles queriam sei eu. O que não queriam também: António Lobo Antunes a falar da miséria e do desemprego, as verdades incómodas saídas ao longo de todo o programa acerca da austeridade, da crise, da Troika, da Grécia, com figuras dispares - agora baptizadas "Tugas da Choldra" - desde os Dead Combo aos cozinheiros Henrique Sá Pessoa, José Avillez, passando por Zé Diogo Quintela ou Tozé Brito, em conversas despretensiosas que dizem mais sobre nós do que todos os Prós & Contras que me lembro de ter visto. 
Também não queriam toda a conversa à volta das criminosas politicas da UE em relação à agricultura,  pescas, venda de alimentos...O lado taxativo de Bourdain - "that's the EU thinking", "you've got everything here", etc, etc -  deve lhes ter caído um pouco mal no seu quê de, vá-lá, instinto de rebelião. Que lá fora é muito cool, cá dentro, respeitinho...

Esperava-os mais inteligentes*. Ou ao menos que não se denunciassem daquela maneira. Pena que o programa esteja estupendo. Se não gostam embrulhem, engulam, aguentem, esperneiem. Façam o que muito bem entenderem. Poupem-nos é a um espectáculo que se chamo aqui de provinciano e  saloio é apenas para me poupar nos adjectivos. 


segunda-feira, 7 de maio de 2012

As eleições

Quando se dizia que o Merkozy era irresponsável e perigoso muitos assobiavam para o lado. Agora, aos poucos, como ouvi ontem nas três televisões, já lá vão dizendo que "somos todos a favor do crescimento, quem não é? ". Como se, enfim, o austeritarismo não fosse sobretudo ideológico. Agora, a extrema direita em França e os Nazis na Grécia fazem parte da equação, não apenas do problema. Aqueles pavoneios mútuos nas conferências europeias e a ideologia da austeridade da miséria a bem dos juros a render para o superavit alemão pedem especialistas em desminagem. Porque o terreno está minado, disso não hajam dúvidas, se ganhasse Sarkozy não sei como é que o desastre não seria para já. 

sábado, 7 de janeiro de 2012

Janeiras

Ontem só consegui espreitar de relance a SIC Notícias. Debate quinzenal na Assembleia da Republica. Os mesmos soundbytes de tantos outros debates quinzenais na Assembleia da Republica, existe certamente um arquétipo platónico para os soundbytes dos nossos debates quinzenais na Assembleia da Republica. 
Depois ainda houve tempo para as Janeiras, primeiro com Cavaco, depois com Passos Coelho. E conseguir ouvir da boca do primeiro ministro qualquer coisa como:"o povo tem de sentir estas medidas como sendo suas". Os salazarinhos gostaram. 

domingo, 4 de dezembro de 2011

Sócrates (1954-2011)


Sócrates era com Zico o mais carismático daquela mítica selecção que encheu a tantos as medidas para o resto da vída. Com Falcão, Júnior, Éder, Toninho Cerezo, Luisinho, ali até o frangueiro Valdir Peres tinha a sua aura. Sócrates era o mais único deles todos. Ele era o diferente, o médico doutor, o democrata activista contra a ditadura, o instigador e líder da Democracia Corinthiana. Não sei se foi por isso que via os meus pais e amigos a gostarem mais dele que dos outros, o que interessa é que aprendi bem cedo a respeitá-lo. Até sempre, super-craque. 

sábado, 12 de novembro de 2011

Estatísticas



"Há vários nomes para o que aconteceu na Alemanha e na Polónia nos primeiros anos quarenta. Holocausto, Shoah, Vento de Morte. Em romani chama-se Porreimos, Voracidade. Não há nomes para o que aconteceu na União Soviética entre 1917 e 1953 (embora os Russos refiram, totemicamente, “os Vinte Milhões” e a Estalinstchina, o tempo de Estaline). Que havemos de chamar-lhe? A matança? O Fratricídio? O Menticídio? Não. Chamar-lhe Zatchto? Chamar-lhe para quê?"

"Foi durante o período da Colectivização que a delação deu o grande salto em frente. Nas aldeias os camponeses mais pobres eram incitados a denunciar os mais ricos. “Era tão fácil meter um homem dentro! Explica Grossman. “Escrevia-se uma denúncia, nem sequer era preciso assinar”: Pelos meados dos anos trinta, quando o terror se voltou para as vilas e cidades, a denúncia era louvada na imprensa como “dever sagrado de todo o bolchevique seja ou não membro do Partido”. 
Pode-se denunciar alguém por medo de que essa pessoa nos denuncie; pode-se ser denunciado por não denunciar o bastante; o único desincentivo à denúncia era a possibilidade de ser denunciado por não ter denunciado primeiro;"

"Se, como é corrente dizer-se, o poder é uma droga; então há casos em que a droga deixa de dar efeito a não ser que se aumente a dose – no caso exponencialmente. Para Estaline, o poder era coisa dos sentidos e das membranas. E ele procurava invariavelmente o limite superior. A Colectivização terminou quando os camponeses foram todos colectivizados. O Terror-Fome terminou quando já não restava ninguém para semear a colheita seguinte. O gulag continuou a expandir-se até parecer que ia rebentar. O Terror prosseguiu até mesmo as prisões temporárias, as escolas e as igrejas estarem todas cheias e os tribunais em funções vinte e quatro horas por dia."

"Toda a gente sabe de Auschwitz e Belsen. Ninguém sabe de Vorkuta e Solovetski.
Toda a gente sabe de Himmler e Eichman. Ninguém sabe de Iejov e Dzerjiinski.
Toda a gente sabe dos 6 milhões do Holocausto. Ninguém sabe dos 6 milhões do Terror-Fome."


Martin AmisKoba o Terrível [Lisboa: Teorema; tradução de Telma Costa; 2003]



Fica uma amostra do excelente Koba o Terrível de Martin Amis que li dum trago (bem amargo). Para muitos que não conheçam ou tenham lido nada sobre o período 1917-1953, tal horror talvez não passe duma estatística (*). Há aspectos em que Estaline conseguiu ir tão longe como Hitler, não os reproduzo aqui. Mais: é quase unânime entre historiadores que tivesse Estaline vivido mais um ano e também os judeus na URSS teriam sido exterminados. De castigo já tinham morrido 5 milhões de ucranianos. Estatísticas.




(*) - "A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística." (Estaline)