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domingo, 26 de julho de 2015

Colheita

Dias há que são de colheita. Senti-mo-lo, sabemos. Como? Então se está tudo à mão de colher... Tudo. Também não é fácil, sabemos como as vibrações e o espírito são invisíveis, impossíveis de tocar mesmo quando tudo vibra, reage, tem força, espírito. Mas se é dia de colher, então é dia de colher, o fruto, o alimento, tem de ser, está no ponto, no tempo certo. Não o fazer é arriscar demasiado na planície seca. No tempo errado.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

33.

Tiras doze quilos na brincadeira. Basta seguir a via da prioridade, é um brinquedo. Logo ali descobres como não era a preguiça que te armadilhava a uma secretária. Que uma hora sentado já precisavas de uma bicicleta, que uma hora pedalado precisavas era de uma piscina, que uma hora nadado e por aí adiante percorrerias teu mundo inteiro em total fúria exercitada. 
Problema mesmo eram os joelhos, as articulações, essas limitações, as armadilhas que no fundo são limitações articuladas, ou articuladas limitações, ou o que mais acharem, não vos há de valer de nada. A mim tudo se resume em aguentar oito horas a uma secretária, a escrever. Norman Mailer falava na necessidade de sermos atletas, de no físico prepararmos o espírito. Estaria a pensar no seu ringue, nessa modalidade específica do boxe literário, tinha de ir bem preparado. Quem está agora a ler isto não sabe, mas eu sei, já me perdi deste texto, do que queria dizer, da intenção primeira. Estou numa piscina, não essa tal de 25 metros mas outra, pequenina e lúdica, que vi crescer  de coisa gigante até quase à banheira. Foi precisamente aqui que aprendi a nadar uns vinte anos antes de ter escrito um conto entre o Luiz Pacheco e um sonoplasta que eu cá sei. Foi preciso ensinar o raio do conto a nadar, e mesmo assim, mal bóia. Disse-lhe que a vida é feita de pormenores e braçadas e tudo o que vier à rede tem as suas articulações. O que desaprendeu já não é comigo. 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Bola de Berlim

Começou pelo alívio do moço do barco em ouvir-me falar português. Disse-o bem alto e sonoro achando que as duas moças estrangeiras não o ouviam [e eu a querer e a gostar que o ouvissem]. Depois, à volta do rio e da viagem de barco, um espanhol suposto pintor de aguarelas chamado Pepe, ali entre a pose artista e o chunga andaluz, em suma, um pintas, que pinta, lá isso pinta, o pintas, umas aguarelas de umas casas alentejanas [e nem foi preciso denunciar o disfarce, como eu disse, estava tudo nas aguarelas]. 
Depois lituanos, ou letões, leitões ou lagostas tal o vermelho bronzeio sobre a pele de cal, o que daria uma horrível aguarela, eles é que não davam conta disso tal a arrogância hasteada em silêncio [pior mesmo foi a chegada à mente desse mecanismo de associação sob a forma de Europa: a Grécia. Peço desculpa, mas nada posso contra o primeiro pensamento, que é mau, paciência, mas não me censuro]. 
Depois uns yankees, da Florida, para aí, isto pelos ares de Boca Raton sem nunca terem ido à praia, passadas de marina, pés que não sabem que nunca pisaram areia, pela praia adentro afora calçados em sapatos brancos mocassins, ridículo prolongado em calções cremes jardineira, não sei se iam assim os dois, mas o que fica da imagem é um dois em um [repito a pujança dos mocassins brancos sobre a areia, só podiam galgar mesmo as tábuas da marina, umas tábuas muito juntas e uniformes, o inferno de um boardwalk na Praia das Furnas].
Depois, depois espanhóis a falar alto atrás do cliché, agora um casal inglês que se foi pôr aqui mesmo ao meu lado. E logo ali vem um casal francês. A primeira palavra que ouvirei em português será a palavra Bola, a que se seguirá a de Berlim. Depois só mesmo o até amanhã do moço do barco. 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Anti-Nota

1- Devia ter reparado nos seus olhares incompletos. Ainda bem que falo em generosidade, assim sempre mostro um pouco a costura do texto, o cozimento da entrelinha. Para quê?, perguntas tu. Para quê? Pois, também eu me vi obrigado a fazer tal pergunta. Para quê.

2 - Não acabou, que a generosidade é água que apagou seu fogo azul de ressentimento. Ressentimento pelo interesse, não era o texto, era a alma! Gira o disco, pode durar décadas, ninguém se rala. Eu ralo-me. 

3- Foi uma talada de verdade, não uma talada da verdade, e ainda bem, mas posso dizer que foi uma talada, lá isso foi, posso comprovar. Depois a pressão do tempo, o ódio ao marketing (pessoal), o bónus do veículo (promocional), a fatiota (armadura). Outros ainda usam guarda-costas.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

31.


- Se a literatura pede licença, a licença é nossa.

- Antes o último vivo da Terra que uma caveira de apocalipse.

- Às tantas já tinhas a intuição bem trabalhada. Era inevitável, o instinto de sobrevivência, essa reacção anti-alérgica, os anti-corpos a reagirem. Agora já te defendes de antemão, até à contra-mão. Apurado apurado. 

- Teu amor de piedade não comanda o destino. 

- Só um Deus pode sustentar um absurdo. 

- Em Portugal mostra-se e logo lhe dizem: vai mostrar lá fora, vai mostrar lá fora... 


- Escrevemos com outros com os outros contra os outros: ler é mais importante que escrever. 

- Se há algo que o afogamento na multidão nos dá a ver de bom é o nosso próprio afogamento. E o colete de forças transformado em colete de salvamento. Do nosso colete de forças, do nosso afogamento. 

- A fotografia continuação do corpo carácter postura olhar sobre o mundo. A fotografia continuação do mundo. Do mundo que é um olhar, um respirar, um trabalho do seu próprio trabalho. 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

29.

Encontro-a
Há todo um passado para nos dirigirmos
Se é que dirigimos
Quando era passado por vezes não sabíamos bem o que fazer
Connosco
Mas hoje é como se começasse tudo outra vez
Tudo, mesmo tudo, amolgado, de feridas
Nódoas negras traumatismos hematomas, nenhum vindo de nossos choques, é certo
Que esses não foram tão violentos já cicatrizaram
Mas surpreendo-me ao ver essa marca esquecida no seu olhar fundo
Eu fogo de vista ainda estranhava seu feitio traiçoeiro
No adiante hoje está a ver as coisas pela terra fértil, eu sempre pelo campo de combate
E de abate, com a consciência do tesouro que é por vezes tão pouca coisa
E fazer parte ou ter tomado parte para conseguir retomar nossa conversa
Como se o mesmo fosse outra primeira vez.

terça-feira, 5 de maio de 2015

28.

Também se escreve no vazio, mesmo escrevendo. Anestesiados não sentimos sequer a possibilidade da dor. A escrita anestesiada pede ainda um melhor fingimento, tão melhor quanto falso, nada que ver com esse fingimento "que deveras sente", mas com um outro qualquer, porventura aquele que deveras quer sentir. O que é vigarice, embuste, uma falsificação bem relaxada, escrever com um comando à distância, como se a pena não passasse de um drone. Pior é que nem isso: nem mesmo o drone é verdadeiro - o que obrigaria a outros desafios. Muito escritor falso auto-satisfeito imagino eu seja mesmo assim : um falso drone, um charlatão embuste, sua pena nem à distância comanda, seu fingimento deveras quer sentir

segunda-feira, 27 de abril de 2015

É Mentira...

É mentira, era um homem, o cantor era o Zé Cabra
Os actores tinham sido substituídos
Por uma câmara combustível gasolina Super 8

Bebida de um conto Bukowski adentro de Um Homem que era 
Um lavador de pratos mas acima de tudo era Um Homem que dizia 
Que era um homem de verdade.

Charles Bukowski talvez mandasse bugiar o 
Zé Cabra
Quando este, num silêncio pós-Mahler, se pôs a cantar acima do personagem
George, o lavador de pratos, que cantava seu opus de verdade
Charles Bukowski nem sequer estaria a pensar nalguma daquelas assistentes
Quando o Zé Cabra ainda pensou levá-las para o hotel
Enfim, deu por si a insistir sabe-se lá bem como e levou tampa
À discussão Bukowski até fez bem em interceder
Que ao menos ouvissem Tom Waits
Que o  filme pois então lá ganharia um prémio 
Perdido num ano sem recordações
Tudo tão mal sintonizado que também daqui ainda não sabemos
Se era Primavera, se Outono, se estava quente, se era frio
Se ali chovia era em mono que Zé Cabra desafinava
E cantava «É MentiraÉ Mentira...», e o George, de raiva, salivava
Não queria ser o copinho de leite que ela tinha deixado
E que era um homem de verdade e também sabia cantar
Haviam de ouvir a sua voz...
Bukowski, enfim, lá teve outra vez de interceder
Pois a cada Zé Cabra, o seu Zé Cabra...

sábado, 25 de abril de 2015

27.

Quando partes não te podes partir. Acontecer não é não acontecer. Não pensas acontecimento, vives acontecimento. Pensar deves pensar depois, muito, mas se pensas antes ficas partido, repartido, fragmentado, indeciso, matutando como a centopeia do provérbio chinês. Sem unidade, sem fluente corrente, não és sequer âncora.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

26.

Tudo demasiado confuso e em cacos, nasce uma vida, tudo recomeça de novo entre os cacos. Deram-te um papel, dizem que o tinhas esquecido, tu próprio não sabias dele, desse papel que não tinha nada escrito, era a folha em branco, e por defeito, era mesmo o papel que desempenhavas. Papel esse que cada um tem, o seu. É a vida. És tu sempre a acreditar na maneira certa. Mania que um ideal é o ideal. Não há como desmentir, a utopia é o princípio da respiração que nunca alcança. Mas avança, como já foi dito e escrito. Escapa a palavra, a utopia não depende das palavras. Tem a beleza dos moinhos de vento.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Trunques

- Distintos pontos de vista aumentam-nos o contraste, a gama das cores. Pintamos melhor compreendendo a(s) forma(s), os contornos.

- Se a escrita tem sumo dissemina-se para fora e para dentro ao mesmo tempo. As vitaminas são essenciais ao organismo.

- Eliminas o supérfluo e as palavras mexem-se, a frase é outra, tem de fazer pela vida.

Napalm sobre a afectação.

Kime.

Honestidade à prova do fogo.

Editar é um grande pára-quedas.

- Saber dar com as junções. Podem ser de outro puzzle que para aí anda...

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Poeiras

- Continua gélida, mas em pior, não sei explicar... Vê como é - disse o outro - imagina vinte anos a apodrecer no frigorífico. Não ia cheirar lá muito bem.  

Sabe de menos e quer fazer jogos. Seu perigo, naïf, está no medo de parecer naïf. Depois inventa campos e adversários, engendra regras, chama-lhes batalha. 

Aprende como a vida paira acima do poema que paira acima da vida. É mais fácil assim, garante, contra-natura, simula a estação da fúria, a alta temperatura.

- Não há som sem transmissão de som. E estamos todos cá fora. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Democratismo

Toda a gente ignorante ter uma voz significa toda a gente ignorante ter uma voz. Não é mais nada. Ignorância voluntária não passa de ignorância voluntária. Não sabe porque não quer saber. Não quer saber porque se está nas tintas. Então não vota, ou então vota com o que não (quer) sabe(r). Qualquer ditadura receberá com o mesmo encolher de ombros - falará então da barriga. Dança a música da corporação, sempre é o que está mais a dar. Tudo e todos podem ser substituídos a qualquer altura, nada se altera. Não há cá reis nem vice-reis, czares ou imperadores, quem manda aqui são os accionistas. Ninguém, mesmo ninguém, se livra da cabeça de um accionista, é que nem o próprio accionista, que também depende do accionista, que também depende do accionista... Muito dinheiro-gera-dinheiro-gera-dinheiro, ou então inventa dinheiro, rotativas ou narrativas, tanto faz, que o que conta, afinal de contas, é o que aparece nos monitores. Também é preciso pilotos para tão velozes lanchas. Não há de haver travagens nem reduções de velocidade, mesmo quando muito se acelera, travões nem pensar. É sempre em frente, sim, o que é preciso é ir sempre em frente, nem direita nem esquerda, já não há direita nem esquerda - é tudo a mesma coisa, dizem -: «eu só penso em direita e em esquerda quando me apanho num cruzamento», dizia o outro dia alguém no facebook, desses que não vota, desses que de bom grado até substituiria a votação pela notação consoante os valores do mercado e as expectativas dos investidores. Assim como assim, de notação em notação, se classifica a coisa, perdão, a Democracia.«Money is the master», dizia Gabriel Byrne nesse filme de Costa-Gavras. Não é fácil. Convém que seja sempre Primavera. O crescimento não pode parar, nunca pode parar, se inundar constroem-se diques, fazem-se ajustamentos, constrói-se um mealheiro e põe-se milhões de pessoas lá dentro, magicam-se expressões, palavras novas como inconseguimento.


P.S. - a partir de uma ideia de Luís Seabra.

25.

Preciso interiorizar o que aconteceu. Mas só exteriorizando, na escrita, são precisas palavras. Caso contrário, só resta a amálgama primordial disforme. Sem qualquer trabalho de edição, de aperfeiçoamento, nada mesmo a ser melhorado. Nenhum poema, nenhum conto, nenhum texto, nenhum problema, nenhuma ideia. São gostos. Eu cá prefiro a crónica de nada à crónica do nada. Porquê? Porque é o melhor que se arranja. Não largar a mão para não perder o pé. 

24.

A história destes meus últimos tempos tem sido a história do meu cansaço. A aprendizagem do sono da guerra: um olho aberto o outro fechado, os dois olhos abertos ao mesmo tempo fechados. Gradações não é só do ver... Também há do dormir, do descansar, do fazer nenhum. Lá porque tantos perdem a capacidade total de concentração. Disse total, podia ter dito essencial. É que não precisam de mais, só navegam à costa. Disse dormir, podia ter dito acordar. 

domingo, 2 de novembro de 2014

DESPENSA

Ando a escrever textos para a despensa. Não se aproveitam, eu sei, mas sempre se podem aproveitar. Bem guardados e preservados, talvez um dia ainda me façam uso e já os tenho. E se vou lá buscá-los é porque preciso deles para alguma coisa. Uma despensa de textos, sim, de palavras, de frases, de ideias, de parágrafos, de expressões, coisas que não se distinguem muito das outras despensas bem ou mal arrumadas. Bem ou mel amanhadas.

Todos as têm, todas existem. Algures mais tarde que o dia de um princípio - esse arquétipo platónico da Despensa, a ideia de um princípio, o princípio da Despensa. Tenho-o aqui mesmo no Scrivener, guardado para a Dropbox. O que no século XX era para a gaveta, também o uso no bolso do casaco. Lá cabe um Black & Decker, há fita-cola, cola-tudo, chaves de fendas, chaves de pregos, alicates. Há até lá mais ferramentas de que nem sequer sei o nome. Às vezes tenho de perguntar a alguém, se não houver ninguém sempre posso usar o dicionário, ir a sítios da internet especializados, por vezes mesmo à Wikipedia. Só estou-me a esquecer do mais importante: o martelo. O martelo é das ferramentas que me dão mais jeito. 

Claro que é tudo uma questão de feitio, do feitio da despensa. Depois sim, o meu feitio lá se terá de arranjar com a forma como estão os meus escritos dispensados, guardados ou mesmo atirados à má ré por essa porta e depois fecho a porta - talvez até nunca mais. 

Essa despensa que abarca disciplina(s), mas que traz em si o mau arranjo das indisciplinas. Por outro lado - porque eu até agora apenas me fiquei pela caixa de ferramentas - não quer dizer, nem pouco mais ou menos, que vos esteja a falar de tudo. Porque, claro fica, há para lá muita mais tralha.
Por exemplo um escadote, por exemplo um aspirador que não trabalha, dois tapetes de rua, um tapete de banho, um banco partido, duas fichas triplas, quatro gavetas metálicas, madeiras várias… E ainda não toquei no mais importante: os produtos alimentares. Falo no atum de conserva, no feijão, no milho enlatado, nos quilos de arroz. Esse produtos uso mais que os alicates ou as chaves de parafuso, claro está. É quando nada mais tenho, e cozinhado ainda melhor. Se bem que dependa, é preciso aferir da qualidade do esboço escrito.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Navegação Ponto por Ponto

1 - Como é que o homem aprendeu a navegar? Tirou uma carta de marinheiro. Coisa recente. Antes podia ir navegando, navegando e navegado, lá ia escrevendo essa carta. Então era um ponto a ponto, ponto por ponto. Aos poucos, partindo, chegando, naufragando - das jangadas às barcas, das barcas aos navios mais avançados: petroleiros, cruzeiros, porta-aviões, cacilheiros... 

2 - Dizia que era giro o que dizia, giro no sentido de engraçado, com piada no sentido de gozado. Cheio desse sentido de humor unilateral que quer que os outros achem graça como George W. Bush queria exportar Democracia para o Iraque. 

3 - Gostava de ver-te tirar carta de marinheiro. Mais ainda que a escrevesses. Ponto por ponto. Escrever como? Pois, boa pergunta: escrever como? 


4 - Antes escrever o presente que editar o passado.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Snobeira

A única diferença da snobeira de esquerda para as outras snobeiras é que esta acha que não é snobeira. E achando que não é snobeira também acha que tira o cavalinho da chuva à mais habitual snobeira, pois que sua autenticidade e pureza está imune e acima de toda a snobeira - essa coisa de direita, queque, essa coisa de classe... 
Já a snobeira de direita é uma snobeira que se orgulha e muito de si mesma. Auto-consciente e auto-estimada, bem trabalhadinha e aprumada, não se estranhe por isso que traga consigo uma mais variada gama de trejeitos e remoques, de tiques e de toques. De resto, zomba da snobeira à sua esquerda, sabendo que também ela é zombada. 
De resto, é tudo farinha do mesmo saco. Pudera, vem da mesma colheita, o produto é o mesmo. Nada difícil de entender à luz de umas luzes de Charles Darwin. Pensemos no exemplo dos ursos e suas diferenças devidamente adaptadas a cada meio ambiente natural. Um teve mesmo de se tornar branco (o magnífico urso polar), os outros, enfim, nem por isso. Mas são todos ursos. Ou não são ursos? 

Mímicas

- Ser adulto é saber ler as temperaturas e os diferentes comprimentos de onda. Mas não é preciso ter um termómetro...

- És jogo de ti próprio mais do que jogas o jogo de ti próprio.


Um simples propósito não quer dizer um de propósito, menos ainda um a propósito. Lá porque se combina bem, não é para ser sempre combinado. 

- Fatal erro de equilíbrio: confundir um desequilíbrio, com um em desequilíbrio. 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Massagens

- Podia escrevê-lo, descrevê-lo, reinventa-lo, matá-lo, transformá-lo. Isto enquanto ia e vinha. Mas não, não merece. Não merece nem uma linha. 

- Literatura como literatura. Não literatura como relato. Literatura como máquina, como estrutura. Não literatura como perícia, como notícia.


- A frase é boa, mas sua arquitectura uma aberração. Sem engenharia nem guarida, sem sentido nem como beco sem saída.


- Escrevia, mantinha-os todos na linha. Vingaram-se, terão de voltar à linha.

- Fácil de distinguir. Uma é escrita que sai das entranhas. A outra força as entranhas. Uma vem de dentro, qual vulcão transbordante; a outra, não é preciso nos atirarmos a esse poço.