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sábado, 14 de setembro de 2019




~VOZES~


Comungo vela
No sentido lâmpada da cena
Necessário cozer as centenas 
Esse telefone 
Onde assisto a algum concerto
A recepção da chamada é basquetebol 
A partir do latino receptio
Fasquias pontos cruzadas
Não vemos ainda quase nenhumas linhas.



segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

OSSO CIENTÍFICO

- Agora seriamente acreditas que finalmente terás direito à transcendência: foi descoberta a fórmula, ficou provado cientificamente. Agora, finalmente, já podes circular a essa dimensão superior graças e tudo graças ao método cientifico. Foi tudo cientificamente atestado, não há mais nada com que te preocupares. Como? Não existe «essa coisa da transcendência»? 

terça-feira, 4 de setembro de 2018

119.


ÓPERA

No inconsciente colectivo cantamos uma ópera
De protesto uníssono incondicional
É emitida no momento 
Rente à porta do sono 
Profundo canal entre o espírito e o mar.
Vem de um fundo das fossas entre as fogueiras antes 
Ainda não a acabámos
E não sairemos daqui enquanto não encontrarmos o tom certo
Pode ser outra eternidade
Pode ser a voz que nos falta
O desconhecido é o maestro


segunda-feira, 13 de agosto de 2018

DANMARK 1984




As pessoas da infância aconteciam como aconteciam
Simonsen caiu lesionado no primeiro jogo do Euro 84
Proeminente na colecção de cromos e nas repetições com R no canto superior direito, ficou só a queda e maca que o transportava
Adeus Simonsen, olá Preben Elkjær Larsen! - e os seus amigos Søren Lerby, os irmãos Morten e Jesper Olsen, o Arnesen, o Jan Mølby do Liverpool, o Michael Laudrup a vir aí muito novinho etc, etc e etc - mais tarde de azul vestido com riscas ténues em amarelo, e o Verona dessa revista Foot era campeão porque gastou dinheiro até nunca hoje - também vinha em destaque na revista Onze, francesa, muito mais moderna  cheia de gráfico estilo. Saber que ali os guarda-redes eram amadores e faziam figura: Ole Kvist que se movia pelos postes de um lado ao outro, a gritar aos defesas, dos nervos que eu não via...
Nada ali era para ser questionado, também não me inteiraria de modo algum vez alguma acerca do estado de Simonsen na enfermaria. Também só saberia uns trinta anos mais tarde, não sei se é verdade ou se é mentira que Elkjær Larsen malhava forte no whisky... 



sexta-feira, 2 de março de 2018

104.

Tempos curiosos estes em que o coberto tanto se torna descoberto, e é tão descoberto, o coberto. 
Coberto no que as pessoas dizem que são. Descoberto na forma como realmente actuam...

Estou a ver tudo de Espanha, detrás das montanhas, 72 quilómetros de Chaves - tudo exposto, pensamos, mas hás de saltar mais alto que toda essa lava feita em merda. Ou talvez não. 
Gráficas omissões contra a parede - salta! Apenas te projectam contra a parede -  salta! 

Acabei de ver um filme que de todo desconhecem. É a quinta vez que o vejo. Então as sombras já não contam para nada. Ou por exemplo a educação ou a falta dela nos personagens, e muito menos aquilo que realmente sabem.

Até há teses gráficas do silêncio. Segredam até dentro das almofadas. 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

98.


1 - As raízes da civilização seguram-nos, asseguram-nos.

2 - Podemos escrever além. Brindemos à nossa!

3 - A tragédia faz parte da equação da vida. Melhor viver com ela. Antes que tome parte de ti próprio. A equação, a não vida. 

4 - Se as tuas palavras são espadas, então escreve como espadas. Dirige-te ao mestre de esgrima, teu futuro. 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

95.


Comboio. Cais do Sodré. Sandes de queijo e presunto. A brasileira e os turistas. O táxi. Aquele restaurante do choco frito. A Voz do Operário. Meus livros na montra. A sensação nenhuma. Passem bem tchauzinho. A primeira vez que pisei o chão da Penha de França. E quando nasci estava mais perto. O mercado cheio de Arroios. O preço já a cobrar o futuro. Se te preocupardes, não fruirdes, diz ela. Não explodir, não cristalizar. E não se fala mais nisso.

domingo, 5 de novembro de 2017

94.


- Viver no estrangeiro, conseguir encaixar peças, sumamente respirar, poder respirar dá-me o poder de respirar. 

- O que há em escrever é seguir escrevendo.

 - Pessoas que acham que o seu ódiozinho a Espanha é salvo-conduto para a mal encarada intelectual desonestidade, para (o) poder (de) desperceber, para o grunhir à vontadinha.... 

 - Lido algures: "The reason wisdom is better than knowledge is because that no one can take it from you."

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Um avião passa ao longe
A 160 km daqui
Vai chegar
Onde aterrou ontem
Penso que só há uma maneira
De tu poderes descer aqui 
E para o provar a mim próprio 
Tiro mais um café da máquina

terça-feira, 18 de julho de 2017

71.


Penso o fundo 
É o que procuro
O senso de propósito
Não encontrei mas respiro-o
Algures


Toda a ideia de melhora
Acompanhando a dor carne viva
Retirando-me o discernimento 
Ao Deus-dará seguindo
O trilho a que estou obrigado


A poesia dança dimensões através da linguagem.

A escrita melhora o pensamento deixando encarnar o intuído pelo poder e o dom da transcendência. Traz respostas perguntas poder mágico. 

A ideia de todas as milhas percorridas não deixa de me assombrar o entendimento. Mas também não deixa de fazer acreditar em todos os milagres.


Seu posto, enfim, seu posto onde lhe é permitida ver desenvolvida sua ficção que nada mais é que ele próprio concebido pela explosão nuclear de sua própria estrela. 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Do Ar



CABEÇA DO AR

Cabeça no ar, sempre no ar
Vendo as coisas no ar
Sempre do ar
Voar
Sem ir parar
Ir dar
Não dar
Até cair 
Em terra ou no mar
Ou na lixeira, algures, ligeira
Dos sentidos
Sentidos a dar
A algum lugar que é nenhum 
Lugar a dar 
Não dar


***


AR AO AR

Deixa-te desse teu terra a terra
Produto da terra
De quem está na terra
É realista, sim, e pertinente, muito
Mas não para quem está a voar neste preciso momento
O preciso momento a grande altura
No que são precisos acima de tudo bons propulsores

sábado, 27 de maio de 2017

Notas sobre Tàpies





Forma de não forma 
Não 
A forma é pesada 
Pesada a forma 
Só a textura a pinta 
Como mostra 
Toma 
Pesa
Queres libertá-la, pensa


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A potência do objecto como tópico de reflexão implica a dor de senti-lo. Nem assim uma transcendência ou realismo mas um tópico de reflexão, uma sugestão, uma abertura. 


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O violino só tem duas cordas, um x questiona. Em estor corre-o. Não sei se é essa a ideia mas o trabalho que dá a arranjar a forma.... A deformá-la, a invertê-la, a transformá-la, tudo para a mais sórdida dissolução. Ou pelo menos é um ar que se respira diferente. Tóxico e rarefeito? Não sabe. Mortal? Também não. Verdade é que se respira. Livre a prova que estamos vivos. Saímos vivos da exposição. E provavelmente de todas as obras de todas as exposições. 

69.

- Só dando o máximo ao mínimo alcanço o mínimo do máximo. 

- No pasa nada, passa tudo, tudo passa, tudo se passa. 

- A realidade, na realidade, se não é brincadeira de ninguém também não é brincadeira nossa. 

- Meu lado razoável só me quer estóico, nada razoável. 

- Deixa-os explodir. Não vão mudar nada. 

68.


Depois de meditar nas Direcções Simbólicas penso agora, plena praia de El Sardinero, se todas as direcções não são simbólicas. Se não deixam pistas em qualquer lugar. Se qualquer coisa não se torna imediatamente simbólica. As voltas que isto dá, esta cidade. Mais as anchovas que são simplesmente do espanto. E tudo se encaixa. Encaixa porque todo o encaixado encaixa o que é suposto ser encaixado. Construído antes de ser construído. Como um encaixe. Todas as televisões nos cafés e derivados estão sempre ligadas nos noticiários. Ou então é só futebol nas grandes pantallas. A cerveja é boa. E os melhores pinchos do mundo com toda a certeza absoluta. Sinto-me bem até me sentir mal no norte-escuro. 

terça-feira, 23 de maio de 2017

67.


SÓ ESCREVENDO

Só, escrevendo
Só escrevendo 
Só escrevendo cheguei ao país estrangeiro
Só escrevendo regresso agora ao próprio país
O país próprio
Do estrangeiro
Só escrevendo tudo se me esplana 
Plana
Escrevendo-me, só escrevendo
Imponho-me agora um estou 
Não estou ao pé de ti
Pela primeira vez
Faz-me falta essa amaldiçoada temperatura
Agora cintura industrial
Outro balde de cidra pura outra astúria
Outra mentira pelos vistos
Tão estimada, esquecida

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

64.


Não racionalizar a sombra. Não pensar a sombra. 
Deixar a sombra ser a sombra. 

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A humanidade a pensar que pode ser solta a vida inteira. A solidão sem união que não a circunstancial circunstância. Como uma sonda. A derivar no espaço. Sondando.

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A cidade. A grande cidade não hospitaleira. Um cinismo uma presença pertença amargurada. Que não quer saber disso agora. Não quer saber de nada agora. 

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Quando um Destino conspira dentro de ti deixa de ser céptico.

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Ai eu estive quase morto no deserto e o Porto aqui tão perto...

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Ser todos os lados é transmitir todos os lados menos o lado onde se transmite, onde se é. Onde se delimita o limite onde não se dissipa. Onde só nos dissipamos em transcendência. 

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Meio morre à fome? Morrer à fome é um dos meios.

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Dia a dia não é foguete a foguete. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

58.

Conversa ouvida ao meio, entre o meio entre os vários meios: «eu é que tenho ração», «Sim?», «Sim, tu também podes ter, depende do teu Pedigree Pal». Assim que tais... Cães das tias, entre as tias...

57.


CABRA CEGA

Cabra cega não vê, julga
Que encontra, presume 
Dá-te a ver seu labirinto 
Agora quer que te desorientes dentro
Quer que te percas, que o que importa
É o que já não mais importa, mas importa
Que te percas 
A sentir a vingança
Do seu erro
A quente 
Sem saber quem é quem é
Se a queres não a queres 
Muito menos
Muito mais se não vais
No caminho da cabra cega

Se fores reza 
A tua sorte
Saindo
A cabra cega não te apanha...