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domingo, 1 de julho de 2012

Roll and rock


Sem que sequer nos dêmos conta, há algo de primordial no modo como reagimos a uma pulsação. Toda a nossa existência é governada por um ritmo de setenta e duas batidas por minuto. Se o comboio teve um papel tão importante para os músicos de blues, não foi só por lhes permitir viajar do Delta até Detroit; foi sobretudo pelo ritmo das locomotivas e das próprias linhas: mudavas de linha, mudavas de ritmo. É como um eco do que se passa no interior do corpo humano. Mesmo que venha de uma máquina, de um comboio, a percepção que o teu corpo tem disso é de natureza musical. O corpo humano é capaz de sentir ritmos até onde eles não existem. Ouçam Mistery Train do Elvis Presley: um dos maiores temas de rock and roll de sempre, sem um único instrumento de percussão. O ritmo é apenas sugerido; o corpo trata do resto. Não é preciso torná-lo explícito. Julgo que as pessoas se enganam quando falam de rock and roll. Não tem nada a ver com rock, tem tudo a ver com roll.

Keith Richards (com James Fox), "Life (2010), Tradução José Luís Costa, Theoria (2011) 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Forever Young




Parando em Neil Young não se pensa em frases como aquela de Philip Roth: "old age is a massacre". Neil Young parece não o sentir, permanece jovem, no espirito, na essência, na frescura, na capacidade de experimentar coisas novas. E pondo-se sempre e constantemente em causa, como fazia quando começou, e como continuou a fazer em mais de 40 anos de carreira. Agora com aquelas doses de acrescento que só o saber, a consistência e a substancia de muita experiência acumulada sabem trazer. Se calhar é por isso que figuras como Neil Young, Bob Dylan, Bruce Springsteen ou Tom Waits envelhecem tão bem. Mesmo que quando fossem novos já soassem melhor e mais velhos do que a idade que tinham. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Bernardo Sassetti (1970-2012)




Está para chegar um ano pior que 2012. Quero acreditar que não chegue tão cedo. 

domingo, 1 de abril de 2012

Mark Lanegan, Lisboa, 31 de Março




Numa coisa tive a mesma sensação que tive com Kurt Cobain dias antes do fatídico dia: a de ausência de bullshit, ou em bom português, de merdas. Não houve cá "obrigado", nem "boa noite Lisboa" como ouvi no péssimo concerto dos Rolling Stones no Alvalade XXI. Mark Lanegan não precisa disso, a ele podem chamar "a voz" que, imagino, Frank Sinatra não há de levar muito a mal. Daí que tendo tocado uns 75% do tempo um ultimo album manifestamente mais fraco que os restantes, deixou-nos a todos saciados ao tutano e com as medidas cheias. E, não vá ele ter algum dia fatídico, há de  voltar de certeza absoluta. Sem graxismos, Lanegan praticamente o declarou. Não há de Mark Lanegan ser Mark Lanegan?

terça-feira, 6 de março de 2012

It's Only Rock 'n' Roll



Agarrado à ideia – vinda de não sei onde para não sei que parte da minha cabeça – que os Rolling Stones acabavam com o “Its's Only Rock'n'Roll”, isto para ser politicamente correcto, porque para mim sempre tinham acabado no “Exile On Main Street”. Agarrado à ideia, dizia eu, duma qualquer pureza ideológica, nunca tinha prestado atenção a uma obra-prima como o “Some Girls”. Quadradice juvenil, depois esquecimento, depois coisas mais "importantes" para ouvir. O que me lixou foi o “Start me Up”, canção daquelas feita para vender e para estragar as expectativas a quem gosta do muito melhor, e que depois não conhecendo fica sem vontade de ouvir mais nada, achando que os Pink Floyd são a banda do "Money" e do "Another Brick In The Wall". O mesmo com o “Satisfation”. Foi a primeira canção que ouvi dos Stones e nunca existe uma segunda oportunidade de causar uma primeira boa impressão. Nada de grave,  a primeira boa impressão nem sequer era juvenil. Era infantil. 
O “Some Girls” ajuda a aguçar-me o interesse pela fase pós Brian Jones/Mick Taylor, estragada ainda mais com o desatroso ultimo concerto que fizeram em Alvalade, para as massas no duplo sentido do termo e para quem não tem nem ideia de metade daquilo que uns Rolling Stones são capazes de fazer. Se calhar o ter bebido antes uma cerveja ao lado do Pestana era uma sinalização para o que aí vinha: rock' n 'roll de hotel, encenação plastificada, betalhada,  som baixissimo, músicos ausentes. Teve uma virtude, apenas uma, mas ainda assim uma grande virtude: a de não me ter arrependido para a vida por ter perdido a "ultima oportunidade". Numa altura em que vivia no Lumiar. Se por um lado conseguia ir a pé ver o Sporting jogar, por outro punha-me a ouvir os concertos quase na íntegra. Em suma, fiquei com receio do que iria perder, de imaginar o que seria estar lá, de me zangar comigo próprio. O arrependimento do que não é feito é das coisas mais idiotas da vida. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Bios



Deitei-lhes hoje uma vista de olhos e parecem-me imbatíveis. Como não sou grande adepto de biografias e biopics, a crítica 5 estrelas de Mário Lopes no Público à auto-biografia de Keith Richards, de fazer fazer crescer água na boca, ou os eloquentes elogios de MEC à biografia de Luiz Pacheco por João Pedro George, nunca seriam por si só suficientes. Sempre são quase 50€, tenho em casa uma extensa fila de espera, há os livros que quero comprar, os autores que quero conhecer, sou pobre. Mas ter-lhes posto a mão em cima e lido dois ou três parágrafos de cada um vai agora obrigar-me a ler tudo o resto dos dois. Provei do veneno. Foi fatal. Já não tenho hipóteses.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Unending Ascent



An Ending (Ascent), do album Apollo: Atmospheres & Soundtracks de Brian Eno é dos sons mais estranhos e belos que se podem ouvir. Tendo algo de etéreo, ao mesmo tempo terreno e cósmico, com uma aura única de indecifrável mistério. A admiração e comoção que causa vê-se quantidade de vídeos e comentários no You Tube e não têm rival à altura – eu nunca vi – ainda para mais num artista desconhecido das grandes massas. 
A primeira versão que me foi dada a ver já lá não está talvez por ser feito de campas e cemitérios reflectindo talvez demasiado o lado post mortem de An Ending (Ascent). Eu pelo contrário acho que é música sobre a vida. Claro que há gostos com versões para tudo. Na Lua, na Lua com a sonda Apollo, no mar ao pôr do sol, em imagens da NASA, em simulacros chill-out, na simetria do espelho, no Afeganistão, na floresta, à beira estrada, à beira neve, à beira rio, ao mar, a navegar, em arquitecturas, nas nuvenschorai arcadas do violoncelo, em fotos editadas a gosto, no trânsito a cores, no trânsito e preto e branco, a la National Geographic, em remixes, em esquisitices, no cinema, em mais cinema, em desenho, com a Terra de perfíl, também assim, em modo trance, num sujeito que descobriu como se faz no sintetizador e claro que capa do albúm. Mas há mais, muitas mais, e vão continuar a aparecer mais.




Adenda: no vídeo acima vê-se parte da Península Ibérica e entrada do mediterrâneo, consegue-se ver o Algarve e a toda a costa alentejana. Parece o Estuário do Tejo em ponto gigante. 

sábado, 19 de novembro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

20 anos


Nevermind apanhou-me a jeito, com 17 anos rondava na altura a extinta discoteca Torpedo na estação do Rossio passando partes das tardes a ouvir sons novos e a ser aconselhado no rock alternativo por um senhor muito alto alemão (creio) – na altura para mim era senhor, talvez hoje fosse um jovem – e por uma espanhola baixinha. Mas nem foi lá que eu ouvi Nevermind a primeira vez, foi (também creio) na XFM que ouvi “Smells Like Teen Spirit” achava então que era das coisas mais excitantes que tinha ouvido. Quem tenha vivido aquela época percebe perfeitamente o que quero dizer: Kurt Cobain simplesmente tinha conseguido criar um antes e um depois, rasgando do mapa toda a foleirice de hard rock poseur e demais treta vinda dos anos 80 e germinava então como cogumelos em bosque humido.

Confesso que conheci os Nirvana ainda antes de os ter ouvido. Tinha começado a comprar pouco tempo antes e também a ler à sorrapa no Amoreiras todos os New Musical Express ou Melody Maker que me apareciam à frente e aconteceu-me apanhar uma daquelas gripes que me deixam knockout e a precisar que me amparem a vida, pedi então à minha mãe que me trouxesse um daqueles dois jornais e ela trouxe-me à cama um célebre NME em que os Nirvana se deram a conhecer ao Reino Unido - Cobain com uma T-shirt dos Captain America, Chris (na altura era Chris) Novoselic com uma dos Sonic Youth e Dave Grohl (cool como nunca voltou a ser...) com um charro posto debaixo do labio inferior.
O que aconteceu a seguir foi história: lembro-me do buzz criado com mais e mais entrevistas até à única Rolling Stone que comprei na vida, de uma entrevista que um amigo me passou em VHS de um programa da MTV (na altura era isso e cassetes) onde Cobain era entrevistado de vestido amarelo e falava em influências de Vaselines, Bikini Kill, The Pixies, The Melvins, The Breeders e por aí fora, lembro a ascenção de bandas incríveis que de outra forma nunca sairiam da obscuridade como os Sonic Youth, Dinosaur Jr, Husker Du, Screaming Trees, Soundgarden, Mudhoney, Meat Puppets, etc e etc. Lembro-me das bocas de destruição maciça aos Guns and Roses, aos Extreme e até aos Pearl Jam.
Quando já tinhamos redescoberto “Bleach” e ouvido “Incesticide” o “In Utero” foi apenas mais uma revelação, cada aparição de Cobain deixava o mundo em sentido, refém do talento visionário. Só que Cobain era frágil como vidro e aquela agressividade provocadora escondia uma vulnerabilidade e incapacidade de protecção impossíveis de se defender perante um mundo ávido e cheio de abutres e gente escravizada. Cobain provocava constantemente. Quem verdadeiramente gostava da Nirvana family Tree deliciava-se com isso, a ralé que comia (e come) tudo o que lhes é dado das duas uma, ou não compreendia de todo, ou julgava que aquilo era só pose. 
O resto é história, Cobain casou-se com Courtney Love, teve uma filha, agarrou-se à heroína. Por fim lançou-se numa última digressão mundial que uns quantos felizardos tiveram a sorte de ver, eu incluído. Foi num Dramático de Cascais à pinha. Kurt de tão magro parecia um agarrado do Casal Ventoso, vendo-o assim não imaginei que se seguiriam mais de duas horas de concerto non stop em alta rotação com “Bleach”, “Incesticide”, “Nevermind” e “In Utero” despachados em tom detonante. O som estava perfeito, a energia transbordava, Kurt deixou no publico saciado a ideia que era impossível dar mais. 
Pouco tempo depois estava eu em Paris e um amigo bastardo que não suportava Nirvana deu-me a terrível notícia: Kurt Cobain tinha-se matado com um tiro na cabeça. Contava-me a notícia com tais ares de “eu bem te tinha avisado” que logo me fez acreditar que não estaria a mentir. O choque teve réplicas até hoje. 

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Numa semana


- Não era fundamentalista muçulmano, nem estava ligado a um daqueles fascistas satânicos ou odinistas fanáticos pregadores da ideologia viking e paganismo nórdico através do black metal, que entre outras insanidades, desejam que a Escandinávia largue o alfabeto latino. Não, era antes um fundamentalista cristão fascista de extrema direita com a particularidade de ser anti-nazi e matar a sua própria gente. Não me parece que este megalómano psicopata vá conseguir que outros dementes façam o mesmo. Mas venceu, mais uma vez o medo venceu. 


- O caso Murdoch passou assim naturalmente para segundo plano, as proporções do monstro a isso obrigam. O Guardian  não tem mãos a medir nos dois casos. Os restantes jornais britânicos, e não só, deixaram-se ficar para trás. E os tempos que vivemos previnem-nos a ir por quem melhor nos acompanha... 


- Amy Winehouse morreu sem surpresa mas não sem choque, e muitos dos que a tinham como um boneco de bêbeda drogadita agora vêem ali uma mártir. Quero acreditar que se ela visse o que se vai passar nos próximos tempos em redor do "mito" talvez tivesse tido um pouco mais de cuidado. Muitos dos que vão ganhar dinheiro com a sua morte são os mesmos que a obrigavam a dar concertos a agarrar-se às paredes. Andam por aí desde os tempos do Jimi Hendrix. 

 - Fernando Ulrich e as medidas da Troika, "
para o conjunto do país e para o sector público penso que é bom, mas para o sector financeiro não faz sentido". Eu sinceramente achava que os bancos tinham ficado satisfeitos com o pacote. Não me ocorreu que algumas coisas sejam TÃO previsíveis...

- O PS escolheu-se a si próprio. A piada começou com o "jovens a dias". Logo ele. Eu que me lembro do "Tó-Zé" Seguro dos tempos em que me dava com uma JOVEM fotógrafa estagiária que trabalhou um ano sem receber um tostão da JS para depois ser mandada borda fora. Foi há muito tempo, é certo. Perdi-lhe o rasto e telefone. O Tó-Zé, esse, é que nunca imaginei, nem nos meus piores vaticínios, que chegasse a líder do PS. Mas também nunca imaginei Durão Barroso a primeiro-ministro (muito menos presidente da Comissão Europeia), nem Santana Lopes, nem Pedro Passos Coelho...A política portuguesa é um tédio em descendendo. 


- Pela nova dieta do Estado, só mesmo consultando um novo dicionário

sábado, 7 de maio de 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

É o "The Wall" e é pena




Sempre localizei "Animals" - um dos albuns mais estranhos do rock'n'roll - com a recessão económica dos anos 70, entre a ressaca da década anterior e o movimento punk prestes a explodir. "Animals", marca de um rock progressivo já a entrar em caducidade, é também por alguns demasiado subvalorizado - dando de barato que é o patinho feio da discografia dos Pink Floyd  e que foi mal conseguida a pretensa colagem a "Animal Farm" de George Orwell -  mesmo que tenha resultado num produto a puxar para o megalómano, confuso e pretensioso
Miguel Esteves Cardoso, numa daquelas belíssimas crónicas de música que fazia, chegou a apelidar o disco de "esforço tão desesperadamente porcino quanto a capa", desta não me esqueço. Mas megalómano e niilista no seu desespero, "Animals" tem sumo e coisas para dizer. E é hoje muito urgente. Como retrato, como metáfora, como forma de chamar os bois pelos nomes. Hoje "psicopatas" como Bernie Madoff, o outro do Lehmann Brothers, Oliveira e Costa ou o Rendeiro do BPP são decalques do "Pigs" e já tive um chefe que era exactamente "You're nearly a good laugh, almost a joker, with your head down in the pig bin, saying "Keep on digging." Pig stain on your fat chin .You're nearly a laugh, you're nearly a laugh but you're really a cry". 
Muitos empresários, gestores, quadros médios, self-made men, workaholics, cínicos, individualistas e toda uma fauna de stressados entram no preocupante quadro de "Dogs", onde me identifico mais; e a carneirada, a enganada, dependente e inofensiva carneirada, continua e continuará a ser a mesma que é retratada em "Sheep", muito passiva, mansa e candidamente a ser pastoreada, quiçá para o matadouro.
Roger Waters, em vez de repetir o já gasto "The Wall" pela trilionésima vez , faria melhor agora um espectáculo de "Animals". Até podia meter o tal porco voador misturado com as caras dos Thatchers de hoje. No esboço do post tinha os "personagens" e a coisa ficou tão tétrica e de mau gosto que deixo à vossa imaginação. Não resisto é a sugerir para Portugal balões de robalos gigantes, tacos de golfe com bolas de 6%, submarinos insufláveis ou facturas da EDP com dez metros de altura. Esgotaria cinco Estádios, em vez de dois Pavilhões Atlânticos.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Missing John Lurie



John Lurie deixou a música há mais de 10 anos, problemas  neurológicos vários, coisa em que nem os médicos se resolvem. Conta que nem pode ouvir música, deve evitá-la até, sob pena de tenebrosos efeitos secundários. Outros falam em paranóia. E que Lurie voltou recentemente ao saxofone. 
A verdade é que John Lurie se confinou durante seis anos ao seu apartamento de Manhattan. Depois duma vida passada a criar, a fazer e a acontecer - a solo, com os Lounge Lizards, bandas sonoras, com o alter-ego Marvin Pontiac, como actor, como autor-realizador do soberbo "Fishing With John" - o renaissance man agarrou-se e com sucesso à pintura. Um ultimo refugio, terapêutico certamente, mas antigo para ele pelo menos desde os tempos de Basquiat e Keith Haring. Diz também que tem uma auto-biografia quase pronta porque só lhe davam um ano de vida. Sabe-se que anda fugido desde 2008 por supostamente estar a ser perseguido pelo ex-amigo John Perry. Verdade e paranóia vivem com ele paredes meias.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Gram Parsons


Foi Gram Parsons que me fez ouvir country pela primeira vez, mais especificamente o country-rock-folk que ele inventou. Muito fora de toda a ganga pirosa que enche o género, e mantém longe pelo menos a maioria das pessoas que conheço, que pelos vistos tem piroseiras mais finas e "aceitáveis" que agora não vêm agora ao caso.
Estávamos em plenos anos 90, altura da vida em que realmente descobria bandas, ia a concertos, frequentava a Torpedo e a Carbono, e comprava o NME e o Melody Maker. Aí Evan Dando, J Mascis dos Dinosaur Jr, ou Peter Buck dos REM, entre muitos outros, incansavelmente falavam do fenómeno Gram Parsons, que como Nick Drake ou os Velvets, se tornara uma moda póstuma. Depois inevitavelmente surgia Keith Richards a fazer a ligação para "Exile On Main Street", ou "Sticky Fingers", com as histórias de  Gram Parsons a pairarem sobre o que de melhor fizeram os Rolling Stones. É facil constatar que eram grandes amigos os dois, influenciavam-se mutuamente, e que Gram Parsons foi mais um a ficar pelo caminho do sobre-humano Richards.
Foi portanto um acaso perfeito uma viagem que o meu pai fez aos states de onde me trouxe um CD 2 em 1 de toda a discografia a solo do autor: GP e Grievous Angel. Mais tarde ainda me chegou ás mãos uma compilação do trabalho de Parsons com as suas bandas, entre as quais os Byrds e os Flying Burrito Brothers. Tudo ao nível do génio que morreu não aos 27 mas aos 26 anos, em pleno deserto, sob um cocktail de drogas e tequilla. Um tipo cheio de alma e tormento, da força dos campos intermináveis da américa profunda, talvez essa a alma do country. É para lá que viajo ao ouvir Gram Parsons, a sua música transporta-nos, literalmente. E é tão genuínamente pura que nunca me cansei de ouvi-la.