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sexta-feira, 12 de julho de 2013

O Grande Culpado

Era imensa a treta do consenso à volta do desGoverno no início do mandato. Também não era mentira nenhuma. Pedro Passos Coelho tinha tudo menos os partidos mais à esquerda que tinham acabado de dar um jeitão no assalto ao poder. Durou pouco, muito pouco, que o programa da troika é o programa do governo e queremos ir além da troika, emigrem, o desemprego é uma oportunidade, há que sair da zona de conforto, não sejam piegas, entre tanto e tanto mais.  

Mudemos a agulha, seguiram-se os partidos, acima de todos o PS. Depois a própria Constituição: dois anos, dois orçamentos anti-constitucionais, cada cavadela, cada minhoca. Os sindicatos, as associações patronais. Os alvos a abater: reformados, pensionistas e funcionários públicos. O Tribunal Constitucional. Tanto comentador, analista ou tudólogo e este governo era apenas incompetente, irracional, incoerente. O mais óbvio, cristalino e verdadeiro adjectivo é que nunca foi usado, também não o vou usar aqui, a incompetência defende-o bem, é que mesmo para isso são precisas mãozinhas... 

Fiquemos pelo rufia político - que se fez com Relvas, mas não só - o perfeito imbecil - aquele que acha que por esticar a corda esta deixa de se partir. A verdade é que parte, parte mesmo. 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Medicina


Quando o desequilíbrio, como o nosso, é devido a uma situação estrutural do próprio tecido produtivo, a gente pode fazer os sacrifícios financeiros que quiser que os problemas vão continuar lá. E os sacrifícios não vão servir para nada. Foi esse o grande erro da Comissão Europeia, que tinha a responsabilidade de conhecer a situação. Costumo dar este exemplo: se os Estados Unidos tivessem encarado a situação na Europa após a Segunda Guerra Mundial como a Comissão Europeia encara esta crise, ainda hoje a Europa estava destruída.  
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A questão fundamental é que a Alemanha ganhou um poder que não tinha com o Tratado de Maastricht e quer uma Europa à sua medida, o que significa ter uma moeda forte. Se os países do Sul não aguentam, pior para eles. E vai-se-lhes dando umas migalhas para eles não saírem, mas isso não é sustentável.
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O grande drama vai ser quando as pessoas se aperceberem de que, feitos os sacrifícios todos, não estamos melhor. Um dos momentos que tornarão visível a situação vai ser voltarmos aos mercados. Depois do regresso triunfante aos mercados teremos no dia seguinte mais austeridade em cima. E quando as pessoas se aperceberem de que todos os sacrifícios pedidos foram em vão vai haver um tumulto sério no país. Será provavelmente o fim desta política. Não sei o que virá depois.
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Nós podemos financiar-nos a juros mais baixos, mas isso dá apenas a sustentação na agonia porque continuamos a aumentar o desemprego e a recessão. O problema é que o país não tem sustentação demográfica assim: se saem 110 mil jovens por ano, como o ano passado, ao fim de uma década são um milhão e tal – e como é que o país vai aguentar, com o envelhecimento que tem à partida, esta autêntica sangria? Não vai. Nos anos 60 saiu um milhão e tal de pessoas activas, mas o país era jovem, a estrutura demográfica não tinha nada a ver com a que temos hoje. A sustentabilidade demográfica do país, que é a condição básica para o país existir, ficará totalmente em causa se esta política durar dez anos.

E mais, mais pedra para partir

(via Declínio e Queda)


quarta-feira, 20 de março de 2013

Parecer Vítor Gaspar



Diz o ditado que à mulher de César não basta ser séria, tem de o parecer. Ao Ser Vítor Gaspar ajudou o próprio mérito, pois estudou, queimou pestanas, inspirou-se a fundo nas escalas do Friedman. Já na condição do Parecer ainda se distinguiu mais, de tão sério que parece. Atente-se na fruição, no talento de adormecer em números o deleite sádico pelo sacrifício alheio. Ou na "coragem" em desgraçar umas boas centenas de milhares de vidas. O Ser e o Parecer Gaspar fundem-se aqui no Infalível Gaspar
Consta que já em 1993 não (se) acertava (uma). Nada que impedisse o Ser de ir fazer carreira no BCE. E como de afinidades e fanatismos enche o tempo o ar, acabou ministro das finanças de um primeiro-ministro eleito no esplendor da falácia e aldrabice - nesse, faça-se justiça, o que parece é: um biltre, uma espécie agressiva de hipócrita, a descrição bem focada da besta quadrada, a alta definição do perfeito imbecil. 
Agora anda tudo muito esquecido, mas eu vi, vi e gravei. A propaganda massiva meses a fio, ele era Silva Lopes, João Duque, Cantiga Esteves, Miguel Beleza ou mesmo Medina Carreira, entre tantos outros que se derretiam entre o "homem sério", a "excelente escolha", o "não podia se podia ter acertado melhor". "Parabéns Portugal", o melhor povo do mundo tinha pois a obrigação de engolir a dose do impressionante Gaspar, pura quimioterapia com laivos de selvajaria social que só podia dar em desastre económico, recessão profunda e desemprego galopante. E foi. Foi tudo o que qualquer um adivinhava: uma recessão (pelo menos) ao dobro do previsto, 350 mil desempregados assim como que por defeito. Tanto que o próprio Parecer Gaspar prevê agora décadas de sacrifício e uma geração perdida, isto para o Ser Gaspar continuar a parecer o tal impressionante homem sério. Porque aqui qualquer pessoa séria podia acabar num haraquiri, ou no mínimo fugia do país, ou no mínimo dos mínimos demitia-se, ou no mínimo do mínimo dos mínimos era imediatamente posto no olho da rua. Não o julguem incompetente, Vítor Gaspar é muito mais que isso, ou muito menos se quiserem ou virem a coisa de outro ângulo. Depende só da calibragem. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

As Férias do Sr. Ulrich

Ouvido hoje no autocarro, pelas repetições e atropelos da matraca tento reproduzir o melhor possível: "Isto a gente anda aqui de férias. Um dia partimos e foi só uma passagem. Foi Ele que nos pôs cá e quando quiser nos leva, mas a verdade é que estamos aqui de férias e é mesmo assim. Uns passam-nas muito mal, outros doentes, outros trabalham  muito. Depois para outros, bem para outros as férias são uma maravilha, um passeio, esses têm sorte, passam a vida a ser servidos. Mas é mesmo assim: estamos mesmo todos aqui de férias,  que quem comanda e quem manda é Ele. Quando Ele decide, as férias acabam, de resto é mesmo assim: somos todos iguais, uns e outros estamos aqui de passagem, uns melhores que outros mas não interessa." Era manifesto que falava para o espectáculo, para ouvirmos todos. Eu por mim fiquei esclarecido. Obrigado minha senhora, não sei o seu nome, mas agradeço-lhe na mesma. É que estava na dúvida acerca daquele amoral catolicismo que se vê em filmes de Máfia em que os padrinhos se confessam no Vaticano. Aquele mesmo catolicismo de um tal de Fernando Ulrich, sabe? Todos sabemos que isto são só umas feriazinhas, os que não são católicos ainda vêm para aqui com lições de moral. Uns são sem abrigo hoje mas os que têm umas ricas férias também podem ser sem abrigo amanhã, não é? Porque não? E na verdade, aqui entre nós, porque é que há gente que se queixa tanto. Gente que diz que não aguenta. Mas porquê, se isto é só uma passagem? Aquele senhor é que tem razão: ai aguenta, aguenta! Se até aqueles que têm umas férias assim para o piorzinho aguentam! Mais uma vez agradecido minha senhora. É que estava na dúvida acerca do catolicismo desse tal banqueiro Ulrich e afinal já percebi. Deve ser como o da senhora: todos de férias, todos de passagem. Hoje aqui e amanhã ali, não é verdade? 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Bom 2013





A todos os leitores e amigos. Que tenham um ano excelente. Pessoalmente vou (ter de) seguir alguns conselhos aqui do Bob Dylan*. A parte das dívidas já me remete ao Gaspar. Até porque um dos meus maiores votos para 2013 é que nos vejamos finalmente livres daquela gosma refinadamente nojenta. E do Godinho Lopes, já agora. Coragem, força, vamos à guerra.


* - surripiado daqui

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Chama-lhe Sacrifícios

Adão Silva (Bragança), Adriano Rafael Moreira (Porto), Afonso Oliveira (Porto), Amadeu Soares Albergaria (Aveiro), Ana Oliveira (Coimbra), Ana Sofia Bettencourt (Lisboa), Andreia Neto (Porto), Ângela Guerra (Guarda), António Leitão Amaro (Lisboa), António Prôa (Lisboa), António Rodrigues ( Lisboa), Arménio Santos (Viseu), Assunção Esteves (Lisboa), Bruno Coimbra (Aveiro), Bruno Vitorino (Setúbal), Carina Oliveira( Santarém), Carla Rodrigues (Aveiro), Carlos Abreu Amorim (Viana do Castelo), Carlos Alberto Gonçalves (Europa), Carlos Costa Neves (Castelo Branco), Carlos Páscoa Gonçalves (fora da Europa), Carlos Peixoto (Guarda), Carlos Santos Silva (Lisboa), Carlos São Martinho (Castelo Branco), Clara Marques Mendes (Braga), Cláudia Monteiro de Aguiar (Madeira), Conceição Bessa Ruão (Porto), Correia de Jesus (Madeira), Couto dos Santos (Aveiro), Cristovão Crespo (Portalegre), Cristovão Norte (Faro), Cristovão Simão Ribeiro (Porto), Duarte Marques (Santarém), Duarte Pacheco (Lisboa), Eduardo Teixeira (Viana do Castelo), Elsa Cordeiro (Faro), Emídio Guerreiro (Braga), Emília Santos (Porto), Frenando Marques (Leiria), Fernando Negrão (Braga), Fernando Virgílio Macedo (Porto), Francisca Almeida (Braga), Graça Mota (Braga), Guilherme Silva (Madeira), Hélder Sousa Silva (Lisboa), Hugo Lopes Soares (Braga), Hugo Velosa (Madeira), Isilda Aguincha (Santarém), Joana Barata Lopes (Lisboa), João Figueiredo (Viseu), João Lobo (Braga), João Prata (Guarda), Joaquim Ponte (Açores), Jorge Paulo Oliveira (Braga), José de Matos Correia (Lisboa), José de Matos Rosa (Lisboa), José Manuel Canavarro (Coimbra), Laura Esperança (Leiria), Lídia Bulcão (Açores), Luís Campos Ferreira (Porto), Luís Leite Ramos (Vila Real), Luís Menezes (Porto), Luís Montenegro (Aveiro), Luís Pedro Pimentel (Vila Real), Luís Vales (Porto), Margarida Almeida (Porto), Maria Conceição Pereira (Leirie), Maria da Conceição Caldeira (Lisboa), Maria das Mercês Borges (Setúbal), Maria Ester Vargas (Viseu), Maria João Ávila (fora da Europa), Maria José Castelo Branco (Porto), Maria José Moreno (Bragança), Maria Manuela Tender (Vila Real), Maria Paula Cardoso (Aveiro), Mário Magalhães (Porto), Mário Simões (Beja), Maurício Marques (Coimbra), Mendes Bota (Faro), Miguel Frasquilho (Porto), Miguel Santos (Porto), Mónica Ferro (Lisboa), Mota Amaral (Açores), Nilza de Sena (Coimbra), Nuno Encarnação (Coimbra), Nuno Filipe Matias (Setúbal), Nuno Reis (Braga), Nuno Serra (Santarém), Odete Silva (Lisboa), Paulo Batista Santos (Leiria), Paulo Cavaleiro (Aveiro), Paulo Mota Pinto (Lisboa), Paulo Rios de Oliveira (Porto), Paulo Simões Ribeiro (Setúbal), Pedro Alves (Viseu), Pedro do Ó Ramos (Setúbal), Pedro Lynce (Évora), Pedro Pimpão (Leiria), Pedro Pinto (Lisboa), Pedro Roque (Faro), Ricardo Baptista Leite (Lisboa(, Rosa Arezes (Viana do Castelo), Sérgio Azevedo (Lisboa), Teresa Costa Santos (Viseu), Teresa Leal Coelho (Porto), Ulisses Pereira (Aveiro), Valter Ribeiro (Leiria), Vasco Cunha (Santarém), Abel Baptista (Viana do Castelo), Adolfo Mesquita Nunes (Lisboa), Altino Bessa (Braga), Artur Rêgo (Faro), Helder Amaral (Viseu), Inês Teotónio Pereira (Lisboa), Isabel Galriça Neto (Lisboa), João Gonçalves Pereira (Lisboa), João Paulo Viegas (Setúbal), João Pinho de Almeida (Porto), João Rebelo (Lisboa), João Serpa Oliva (Coimbra), José Lino Ramos (Lisboa), José Ribeiro e Castro (Porto), Manuel Isaac (Leiria), Margarida Neto (Santarém), Michael Seufert (Porto), Nuno Magalhães (Setúbal), Raúl de Almeida (Aveiro), Telmo Correia (Braga), Teresa Anjinho (Aveiro), Teresa Caeiro (Lisboa) e Vera Rodrigues (Porto). 

Via Arrastão

Ai passa, passa!

Acabou finalmente o argumento da "incompetência", da "gasolina para a fogueira", da "irracionalidade" das medidas, entre tantas simpatias que nos fartámos de ouvir em repeat e alternância nas suas possíveis e múltiplas variações. Agora só não vê quem não quer o fanatismo ideológico disfarçado num  pacote à medida  dos escombros de onda possa finalmente emergir o "homem novo". Tivessem lido as entrelinhas, o "custe o que custar", o "que se lixem as eleições", o "queremos ir além da Troika", o "sejam menos piegas", o "desemprego pode ser uma oportunidade", o "emigrem professores que diz que nos PALOP precisam". Falo na maioria dos moderados mainstream porque para o resto temos os caceteiros mainstream, os Cantigas Estevez, João Duques e Blasfemos deste vida, entre outros, a maioria . E o patético e perigoso Fernando Ulrich que depois de achar que os nossos impostos deviam pôr os desempregados a trabalhar para o BPI continua a chamar um figo à austeridade. Dá mesmo que pensar o quanto Passos, Relvas e Gaspar se devem ter deliciado com tanta análise branda, tanta vista grossa, via-se o quadro, o cenário, tudo. Bem diz o ditado que os cães ladram e a caravana passa. Ai passa, passa! Por enquanto passa.  

sábado, 27 de outubro de 2012

Chama-lhe Mercados




"Os quadros da Goldman Sachs são empurrados para fora da instituição e passam a gravitar na órbita do sistema administrativo. Isso significa que é impossível que votem contra os interesses da Goldman Sachs."

"Têm o poder de arruinar economias como a Grécia. Gira tudo à volta dos mercados dos juros das obrigações. E quando declaram que determinado governo está insolvente as consequências são drásticas. Forçam-no a pedir empréstimos e impõem as medidas de austeridade que empobrecem os países."

"Ninguém alcança poder político sem a aprovação do sector financeiro. Desde o colapso de 2008 vimos que essas instituições são intocáveis. Não podemos fazer nada para as deter. Saquearam o Tesouro dos Estados Unidos e continuam no casino de especulação como antes de 2008."

"São criminosos. No século XVII os especuladores eram enforcados. Mas aqui, todas as instituições, a imprensa, as universidades, os partidos políticos, os sectores executivos do governo, toda a gente dança ao som da música que eles tocam. E não há nada que o cidadão comum possa fazer. Não há nenhum mecanismo dentro das estruturas formais do poder que nos permita lutar contra eles. "

"Estamos a ser destruídos financeiramente, moralmente, politicamente e economicamente por determinadas instituições e o Goldman Sachs é a jóia da coroa dessas instituições. Não conhecem limites, transformam tudo num mercado que exploram até à exaustão ou ao colapso."



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Lloyd Blankfein


O senhor da cadeira do Goldman Sachs parece ter uma das coisas que Joseph D. Pistone usou para descrever o clássico wise guy: o olhar que diz "i'm always scheming and i'm right and you're wrong". Na verdade, Lloyd Blankfein pode ser muito mais letal que a Cosa Nostra. É ele o homem in charge da seita que parece que comanda o planeta em governosbancos centrais,  orgãos reguladores e decisores, arruinando populações inteiras e mesmo os próprios clientes e investidores, gente que nem imagina a  sorte que é sermos governados pelo professor Gaspar. Blankfein mal dá entrevistas, mesmo perante o senado e sob juramento se dá ao trabalho de responder. Do pouco que sabemos da figura parece que anda pelo mundo a fazer o trabalho de deus. É pois urgente que entendamos a mensagem da boa nova. Nós os ignorantes. Os que ainda nem sequer acordaram. 

sábado, 6 de outubro de 2012

O Engano


Todo o crente do acaso e dos dados à sorte devia ao menos pensar nas comemorações de ontem. Bandeira hasteada ao contrário no ultimo 5 de Outubro feriado, anfitriões e comemorantes escondidos da rua pela primeira vez desde 1910, primeiro-ministro fugido em cimeira insignificante, mulher desesperada a irromper cerimónia adentro...
Num regime dirigido pelo PSI20, Berlim e predadores do banco Goldman Sachs fabricador de crises mundiais, Primeiros-Ministros e conselheiros de privatizações dizer que foi um engano esta impressão de queda livre não impedirá a imagem de ficar gravada em futuros manuais de História. Quantas vezes se consegue ilustrar o engano?  

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Chama-lhe ajustamento

Gaspar e Passos não assumem essa coisa assustadora do capitalismo ciêntifico da mesma maneira  que  antes de serem denunciados os mafiosos nos Estados Unidos não assumiam sequer a existência dessa coisa assustadora da Cosa Nostra. Porquê? Não podem. Porque é que não podem? Porque assim se quebra o feitiço. Porque é que assim se quebra o feitiço? No crime perfeito, o segredo não é a alma, é a própria condição do negócio.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Chama-lhe metas

Feliz ou infelizmente, a minha crença na incompetência humana não chega à pura e afrontosa canalhice, ao assassinato escondido e à vilania sem escrupulos. Tenho pena. Mais por quem não queira entender que o objectivo desta austeridade é criar ainda mais austeridade para ser necessária mais austeridade e assim sucessivamente em todas as cadências necessárias até que despojados de tudo o que temos e podemos e com tudo o que é bem público privatizado e confiscado chegaremos finalmente ao ponto de rebuçado, à maturação certa para sermos os serventes perfeitos, miseráveis e sem direitos de espécie alguma. É até onde a descida vai dar. Na Grécia a Troika já quer o povo a trabalhar seis dias por semana. Isto como quem não pede outra coisa pior. É tal a perversidade e eficácia clínica desta gente que deixam assustado até o mais optimista. Consegue exactamente o que quer mais uns extras escondidos na manga. Primeiro gera-se a grande controvérsia, depois o povo rejeita em força, depois o Governo diz nem pensar, o barulho torna-se ensurdecedor, aproveite-se então para passar como mal menor o que de outra forma seria bem mais complicado de engolir. O resto é fácil, com austeridade é só esperar o resultado. Um aninho, dois - nada que já não esteja previsto ou “estudado” - será mais que suficiente para passar o que antes era tido como loucura. Pensem no que Vitor Gaspar achava o ano passado das TSU. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Sinais


Henrique FialhoPedro Passos Coelho sugere aos jovens que emigrem ao mesmo tempo que se dirige aos portugueses enquanto pai. Isto já não é mera hipocrisia, é pura crueldade. Mais grave, é uma crueldade que não tem consciência de si própria. Eu não acredito que Pedro Passos Coelho seja sensível o suficiente para ter consciência do que anda a fazer.







quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Esperem bem sentados

A Troika sugere à Grécia mais um dia de trabalho por semana. Por enquanto é só uma sugestão. Lá chegaremos. À mesma estrada, o mesmo destino. Se não nos resolvermos com o que não temos nem podemos tanto pior. Arcaremos com as consequências, os outros, na pior das hipóteses, tentaram apenas ajudar. Porque isto da culpa é, no essencial e até prova em contrário, a de quem arca com ela e não necessariamente a de quem é culpado. A mais um "esforço adicional" será dado outro nome. Só não muda o refrão: se não for assim, tanto pior.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Mais uma para a estrada

Vi finalmente o documentário “Os Donos de Portugal” que tem que se lhe diga em relação ao estado a que isto chegou versus discurso dominante, ou não, que os dois lados pertencem à mesma moeda. Atente-se no caso de Pina Moura, que do comité central do PCP se converteu em privatizador suspeito de concessões escandalosas nos seus tempos de governo PS, acabando agora a elogiar o "excelente trabalho" deste governo que vive nos antípodas do governo António Guterres de que tomou parte de destaque nas Finanças e não só. 
Há quem diga que os ex-PCP são os piores, outros dizem que são os ex-maoístas. Eu nem uma coisa nem outra. Sei de fonte segura que após o 25 de Abril milhares de pessoas foram-se inscrever no PCP. Achavam que isso é que era estar do lado certo da História. Os diários de Miguel Torga e Vergílio Ferreira dão um cheirinho do fenómeno. Vão lá e leiam. 
Tenho um amigo que parece que me ligou por causa da profusão de postas anti-estemiserávelgoverno que tenho posto no Facebook. Digo parece porque ele entretanto desligou a chamada com uma desculpa de estacionamento. Tinha marcado o seu ponto e se calhar não podia continuar. E eu a pensar que se marimbava... Lembra-me outro que sai para a rua quando o PSD ganha as eleições e um dia disse-me que não era de Direita nem de Esquerda, era é de onde está o dinheiro. Como aqueles que dizem que não são do Sporting nem do Benfica mas vão sempre para o Marquês festejar. Como se apanhando-o num daqueles nojentos regimes comunistas tipo Ceaucescu algum dia viesse também dizer que era é de onde está o trabalhador e o mais longe possível do capital, esse demónio. 
Tem gente que não faz outra coisa na vida: posiciona-se. E não existe coisa mais fácil de dispensar: essa gente. Que é tanta gente. Porque a gente sabe que as coisas são mesmo assim. 

sábado, 26 de maio de 2012

Cãozinho cãozinho



No jantar do Conselho Europeu de quarta-feira, Passos Coelho - contrariando Monti, Hollande, Rajoy, Juncker, o FMI e a OCDE, entre muitos outros líderes e instituições - apoiou Angela Merkel contra as euro-obrigações. O escândalo racional da chanceler alemã é, assim, apoiado pelo mistério irracional do comportamento do primeiro-ministro português. A lógica da subserviência tem na decência, o seu limite moral, e no interesse nacional, o seu absoluto limite político. Passos Coelho está a rasgar todos os limites.

Tirado de aqui

segunda-feira, 7 de maio de 2012

As eleições

Quando se dizia que o Merkozy era irresponsável e perigoso muitos assobiavam para o lado. Agora, aos poucos, como ouvi ontem nas três televisões, já lá vão dizendo que "somos todos a favor do crescimento, quem não é? ". Como se, enfim, o austeritarismo não fosse sobretudo ideológico. Agora, a extrema direita em França e os Nazis na Grécia fazem parte da equação, não apenas do problema. Aqueles pavoneios mútuos nas conferências europeias e a ideologia da austeridade da miséria a bem dos juros a render para o superavit alemão pedem especialistas em desminagem. Porque o terreno está minado, disso não hajam dúvidas, se ganhasse Sarkozy não sei como é que o desastre não seria para já. 

sábado, 14 de janeiro de 2012

Mais uma semana, mais uma viagem




46 mil euros mês acumulando com uma reforma de 9693 euros? Olhem, é bom para o Estado, 50% do que ganho vai para impostos. Insistem? Querem o quê? Se querem competência, eu sou o Cristiano Ronaldo da gestão. Mais perguntas? Logo vi. 
Entretanto, agora é Relvas que quer incentivar os jovens a emigrar, Manuela Ferreira Leite quer que quem tenha mais de 70 anos pague a hemodiálise, o Álvaro quer franchises de pasteis de nata, Mário Crespo quer Miguel Beleza pela 3589 vez no seu programa. Insistem? Querem o quê? Não vêem que isto de Portugal está para lá das vossas possibilidades. Trabalhem muito, rezem. Não há dinheiro. Mais perguntas? Logo vi. 


(Foto Henricartoon)