E depois a televisão pifou. De vez. Já não liga mais. Caput. E o sinistro Andreotti andou todo o filme a dizer "Io non ci credo al caso; io credo alla volontà di Dio."
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sábado, 17 de setembro de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
A.K.A.
Os gangsters dos filmes e séries ajudam a passar o tempo. Como é que se tornaram entertenimento de luxo isso é algo que me escapa, mas também a culpa não é nossa. Lembrei-me disso ao ver na net uma foto de Joe Pistone (a.k.a Donnie Brasco) ao lado do actor que o interpretou, Johnny Depp.
Pistone era um agente do FBI infiltrado sob a máscara de Donnie Brasco, e uma das causas do estrondoso sucesso da sua missão foi a irmandade e grande camaradagem que tinha com os outros mafiosos que ao que consta eram tipos "normais" que depois matavam e roubavam e ameaçavam e infernizavam a vida ao outro como modo de vida. Acabado o expediente discutiam comida, vinhos, carros, baseball, escola dos filhos, jogavam cartas...O business de resto não era nothing personal. Não se discutia. Matavam ou morriam. Roubavam ou morriam. Obedeciam ou morriam.
Donnie estava ali para metê-los na cadeia. Ponto que correu mal ao seu melhor amigo no bando, o capo Dominick "Sonny Black" Napolitano a quem um dia prometera que cuidaria das filhas se lhe acontecesse alguma coisa. E aconteceu. Foi morto quando se descobriu que Donnie Brasco era afinal o agente Joe Pistone que depois da missão cumprida tem andado escondido entre tribunais, conferências, livros e aparições mediáticas. À sua custa dezenas deles foram dentro. Incluindo quem matou Sonny Black. Don the jeweler, não era? A fugazi.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Le Jenou de Claire
É certo que a inteligência do enredo, a riqueza do pormenor, a autenticidade dos personagens, a espiritualidade dos diálogos, a cor do Verão, a beleza dos lugares e aqueles impagáveis actores, entre tanto mais, nos deixam em constante estado de graça cinematográfica, algo tão corrente no cinema de Eric Rohmer como a água que jorra das fontes. Ali parece que o tempo não tem tempo e sua fruição é tão prazerosa que nem o sentimos passar. Mas pela sua geometria tão precisa e provocadora no final acabamos com mais vontade da vida que seguirá dentro de momentos...
quinta-feira, 7 de julho de 2011
18h50 no Monumental
Sessão das 18h50, cinema Monumental no Saldanha, sala 3, o filme é "Tree of Life", obra-prima de Terrence Malick, só mais uma pessoa na sala além de mim. Passados uns vinte minutos meia hora, entra um casal à conversa e assim continua até ganhar juízo com aquela parte indescritivelmente bela da qual alguns cínicos e detractores do filme gostam de chamar momento National Geographic.
Já me tinha acontecido ser eu e apenas mais uma pessoa na sala, mas foi num dia de semana, numa sessão da meia-noite no Amoreiras, e uma outra em que éramos um em cada canto do extinto cinema das Twin Towers. Agora estamos a falar da zona mais central de Lisboa e logo a seguir a um dia de trabalho quando pode ser bem apelativa uma ida ao cinema, quanto mais não seja como distracção, alívio do stress, ou conseguir deixar as coisas em perspectiva. Também não me lembro, desde os finais do Escudo, tirando na Cinemateca, de a um dia de semana ter pago tão pouco por um bilhete de cinema: 4 euros. Isto vai parar onde?
domingo, 26 de junho de 2011
Ainda Peter Falk, com a devida vénia
Falarem da morte de Peter Falk e dizerem que morreu o detective Columbo e não mencionarem nem ao de leve o papel fulcral que Falk teve em filmes de John Cassavetes, esquecendo por exemplo que foi um dos actores de mão do cineasta ao lado de nomes como Gena Rowlands, Ben Gazzarra ou Seymour Cassel faz-me imensa impressão. É que o meu Peter Falk é o Peter Falk de Cassavetes, de resto sou até capaz de apostar que os obituários jornalistas nem sequer viram um episódio do Columbo...
quinta-feira, 16 de junho de 2011
A Melhor Juventude
Foi "Casa de Lava", filmado na ilha do Fogo, que fez com que lá chegasse - para fazer o favor de entregar umas coisas a familiares de gente que conheceu na ilha. Para Pedro Costa entrar nas Fontainhas foi um choque equivalente a uma chegada a África ou à Índia, como diria mais tarde. Primeiro estranhou bastante, mas rapidamente envolveu-se naquele mundo e comunidade onde até como tesoureiro serviu. Trabalhou, realizou obras-primas, tomou a comunidade como sua. Ali paredes meias de Lisboa, num sub-mundo de miséria, filmando horas a fio num longo moroso processo de repetições, dores, conflitos, maturações, numa longa teia tecida entre a pessoa de carne e osso e seu terrível enredo onde vêm à luz reminiscências de Robert Bresson, Straubb/Huillet, Rosselini ou Pasolini. Com a coragem de um cinema assim - artesanal, transcendente, singular o suficiente para se poder considerar uma nova cinematografia - vive ali o mais brutal e desesperado dos pessimismos, que se confunde bem com o seu realismo: não existe saída, ponto. O feito de Pedro Costa está no sublimar de tal desolação, de toda aquela inumanidade e miséria. Tal como Joseph Conrad no seu "Coração nas Trevas", tudo ali é sinuoso, fechado na obscuridade, no silêncio, na lassidão, onde o climax é não só o ponto mais longínquo da viagem, como a própria condição de um regresso.
Não há fórmulas para tal, nem a folha em branco se ensina. A folha em branco aqui é o plano. Está tudo lá, na folha: o som, os diálogos criados e improvisados incessantemente até a uma forma que os sustente. O olhar, a presença do personagem, feita de meses e meses de empatia vivida, transportando verdade para o filme trabalhado sobre o abismo entre nós e a irremediável miséria dos deserdados do mundo.
A primeira vez que visitei o seu "cinema das Fontainhas" passei quiça por um semelhante processo de aceitação. Primeiro de estranheza e rejeição, depois de revelação e descoberta. Tem de se conquistar o prazer daquela fruição. De tudo o que está lá dentro - a sua poesia, a sua metafísica, o seu processo de catarse. E tanta humanidade na desumanidade. One of the most important artists on the international film scene , podem dizer o mesmo em Nova Iorque, LA, Paris, São Paulo, Tóquio...Contra todas as probabilidades é nele que estão postos os olhares do cinema mais genuíno. Mesmo achando que o Cinema como ofício no seu sentido mais artesanal é uma arte em vias de extinção. Pronta a desvanecer-se.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Lá Fora
Dá ideia que se passa muita coisa durante “Barton Fink”, mas vendo bem há um assassínio, um incêndio e pouco mais. Nem são os momentos de Fink nas suas divagações, bloqueios de escrita ou dúvidas existenciais que suportam o tempo do filme. Não, o filme sustenta-se em 3 ou 4 pontos chave, com arcos suspensos entre eles e entre esses arcos literalmente levitamos diante da tragédia. No final pouco nos interessa o mundo lixado e o sarilho em que o personagem está metido. Isto porque o que nos leva é que o vai escrito. O que nos conta é a cabeça do escritor, o mundo, esse está lá fora como o quadro da mulher na praia. Se é real ou imaginado é-nos indiferente, é que no meio das palavras ambos são indistinguíveis.
domingo, 22 de maio de 2011
Minnie, Moskowitz & Cassavetes
"Minnie & Moskowitz" joga com o romance improvável entre um quase vagabundo e uma sensivel curadora de museu. Ela em crise existencial e amante de um homem casado, ele acabado de chegar a Los Angeles e vivendo biscate a biscate. Mal o estranho acaso os põe em contacto as coisas começam a acontecer. Dá-se o clique, gera-se entre os dois uma energia colossal, uma montanha russa de emoções. No final já não conseguirão viver um sem o outro.
A viagem porém é tortuosa, difícil, num equilíbrio precário, pronto a explodir-se, mas quiçá única via de se poder chegar ao amor (quase) impossível num romance contra todas as possibilidades, género de agulha num palheiro.
Mesmo num registo de comédia, "Minnie & Moskowitz", tal como todos os outros filmes de John Cassavetes, tem como tema a viagem emocional dos personagens, não tanto a acção propriamente dita. Com interpretações absolutamente notáveis, só mesmo possíveis com uma total confiança e segurança no realizador. Não é por acaso que o circulo dos actores "cassavetianos" anda sempre à roda dos mesmos. Sente-se ali intimidade, cumplicidade, amizade. De outra forma a cena não pegaria daquela maneira, não teria aquela fluência. Afortunadamente está lá Gena Rowlands, a actriz da minha vida, casada precisamente com John Cassavetes. Há casal mais exaltante que este?
sábado, 21 de maio de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
Marika Portman
Já vi muitos renascimentos no cinema. E reciclagens, como de Cary Grant para George Clooney que também reciclou Jimmy Stewart de certeza absoluta. Depois existem casos que intrigam mesmo, feitos de semelhanças absolutas completamente separadas no tempo e geografia.
Ver Marika Green em "Pick Pocket" (O Carteirista) é quase como ter Natalie Portman nos finais dos anos 50 a ser dirigida por Robert Bresson. Fisicamente não se distinguem, a cara é igual, os olhos são os mesmos, o olhar - penetrante - é que já não, mas ninguém (nos) olha como Natalie Portman. Mesmo assim, não estivesse Marika Green viva e falar-se ia em reencarnação. Ou será que alguém já perguntou se passou por Israel há trinta anos?
segunda-feira, 11 de abril de 2011
RIP Sidney Lumet
Não conheço todos os filmes de Sidney Lumet, nem pouco mais ou menos. Ainda assim vi “Serpico”, “Dog Day Afternoon”, “Equus”, “The Verdict”, “Night Falls on Manhattan” e “Before The Devil Knows You're Dead”, todos a ponto de me encherem as medidas. Não é digno desta lista o fraco e despreocupado “Find Me Guilty”, feito certamente em piloto automático, mas que do pouco que tem ainda vale pelos diálogos, pelo humor e por um Vin Diesel a dar ares de grande actor, o que é qualquer coisa...
Lumet era dos bons, seus filmes tinham carácter: intensos, intrigantes, incisivos, inteligentes, preocupados. Densos, com ritmo, vertigem, estupendas interpretações de grandes actores, agarrando-nos no enredo, fazendo-nos pensar. Pensar a sério. Creio que viverão por muito e muito tempo. Isto se a humanidade não o(s) desmerecer.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Monte Hellman voltou
Tão ou mais difícil do que termos um novo filme do divino Terrence Malick, é voltarmos a ter um filme do mítico Monte Hellman.
Do pouco que vi de Hellman, a obra-prima"Two Lane Blacktop" está no meu top 10 de sempre, os westerns artesanais com Jack Nicholson "The Shooting" e "Ride In The Wirlwind" estão ali numa caixa em frente a olhar para mim, depois de eu já ter gostado de olhar para deles.
Quentin Tarantino queria-o para realizar "Reservoir Dogs", Vincent Gallo para "Buffalo 66", ripando-o depois descaradamente em "The Brown Bunny". Monte Hellman é dos poucos cineastas americanos a saber despertar o 6º sentido cinéfilo. Mal possa estarei lá sentado.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
sábado, 19 de março de 2011
Woke up this morning...
Johnny "Coca Cola" Lardieri, Mickey "Ciggars" Coppola, Louis "Louie Ha Ha" Attanasio, Angelo "Quack Quack" Ruggiero, Vincent "Vinnie Gorgeous" Basciano, Philip "Chicken Man"Testa, ou Bobby "Bad Heart", há nos mafiosi americanos algo que me lembra o bairrismo chunga de Lisboa dos meus tempos de miúdo em que haviam alcunhas para tudo e mais alguma coisa.
Havia um pobre miúdo a quem chamavam de "Deixa Estar Que Eu Chuto", coxeava muito, e como se não bastasse era sempre lembrado pelo defeito físico e do pouco que jogava à bola. "Deixa Estar Que Eu Chuto" ainda assim era mais elaborado que qualquer um dos cromos acima mencionados, mais que por exemplo o aparentado Bobby "Bad Heart", lembrado no nome pelo pacemaker que usava. Com o "Deixa Estar Que Eu Chuto" haviam outros requintes: "Deixa Estar Que Eu Chuto anda cá; Deixa Estar Que Eu Chuto hoje ficas à baliza; Deixa Estar Que Eu Chuto a Andreia quer namorar contigo; Deixa Estar Que Eu Chuto dá-me uma bolacha; Deixa Estar Que Eu Chuto tás sempre a marrar; Deixa Estar Que Eu Chuto, um bom Natal." Em suma, deixa estar que eu chuto.
Por tudo o que sofreu, o "Deixa Estar Que Eu Chuto" (nunca consegui saber seu verdadeiro nome) merece estar agora melhor que todos os rufias que o maltratavam. É bem provável, até porque mânfios tramam-se sempre. Como Mickey "Ciggars", preso há pouco tempo em Manhatan depois de anos em fuga por ter limpado o sebo precisamente ao "Cola Cola" gangster. E Vinnie "Gourgeous", que não vai poder continuar a sua carreira com a prisão perpétua para o resto da vida numa daquelas prisões de alta segurança.
Aqui de Lisboa é muito cómodo seguir todos estes enredos e conjunturas, alguns até mais interessantes do que os de "Good Fellas", "Casino", "Donnie Brasco", ou da saga "The Godfather". Filmes todos baseados e copiados da realidade. A série "The Sopranos", por exemplo, é um decalque da saga da família De Cavalcante de New Jersey, com algumas coisas da facção local da familia Lucchese de Nova Iorque. Depois, temos também a máfia de Chicago com "Casino" e "The Untouchables".
Quando eu conto estas histórias às pessoas mais próximas, elas torcem o nariz, mas depois adoram os filmes, e quando eu digo que aquilo é tudo verdade, não fazem caso disso.
Por tudo o que sofreu, o "Deixa Estar Que Eu Chuto" (nunca consegui saber seu verdadeiro nome) merece estar agora melhor que todos os rufias que o maltratavam. É bem provável, até porque mânfios tramam-se sempre. Como Mickey "Ciggars", preso há pouco tempo em Manhatan depois de anos em fuga por ter limpado o sebo precisamente ao "Cola Cola" gangster. E Vinnie "Gourgeous", que não vai poder continuar a sua carreira com a prisão perpétua para o resto da vida numa daquelas prisões de alta segurança.
Aqui de Lisboa é muito cómodo seguir todos estes enredos e conjunturas, alguns até mais interessantes do que os de "Good Fellas", "Casino", "Donnie Brasco", ou da saga "The Godfather". Filmes todos baseados e copiados da realidade. A série "The Sopranos", por exemplo, é um decalque da saga da família De Cavalcante de New Jersey, com algumas coisas da facção local da familia Lucchese de Nova Iorque. Depois, temos também a máfia de Chicago com "Casino" e "The Untouchables".
Quando eu conto estas histórias às pessoas mais próximas, elas torcem o nariz, mas depois adoram os filmes, e quando eu digo que aquilo é tudo verdade, não fazem caso disso.
A verdade é que existe um enxame de historiadores do fenómeno, no Amazon a bibliografia é enormíssima. Parte deles estão em todo o que é documentários no You Tube, resmas: de todas as famílias, de cada família, da vertente sociológica, dos personagens, do papel da polícia, dos bufos, deste caso ou daquele...
Depois ainda há os especialistas: conheço um de Nova Iorque e outro de Filadélfia, um a falar parece o João Querido Manha, o outro é mais Luís Freitas Lobo. Este ultimo tem-se ocupado ultimamente com a eminente saída de Joseph "Skinny Joe" Merlino da prisão: se vai desafiar a liderança do boss Joseph "Uncle Joe" Ligambi ou se segue antes para a Florida para ganhar tempo e marcar território. Da última vez até se meteu o Facebook ao barulho. É que Joe Merlino tem fama, glamour e é género de herói local. Gangster craque benemérito. A culpa é do entertainment, que criou a marca, o estilo, o glamour. E no meio até nos tenta fazer esquecer que o tipo é um criminoso, um demente, um crápula, um ser indigno de respirar oxigénio fora da cadeia. Mas e se Martin Scorsese pegasse nele?
PS: Na foto Joe Merlino e Joe Ligambi num jogo de baseball entre "good fellas". Digam-me lá se não parece que estamos num episódio dos Sopranos.
PS: Na foto Joe Merlino e Joe Ligambi num jogo de baseball entre "good fellas". Digam-me lá se não parece que estamos num episódio dos Sopranos.
domingo, 12 de dezembro de 2010
102
O ano passado registei 101. Mais os dois filmes por ano. Nunca tem falhado. Para o ano serão 103. E possivelmente os tais dois filmes. Nunca tem falhado. Parabéns Manoel de Oliveira. Nunca tem falhado.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
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