quinta-feira, 7 de junho de 2018



Saí indeciso de minha casa, achava que devia escrever. O que a escrita pedia na altura, não tinha eu forma de saber. E a escrita pedia, se pedia... Precisava de se alimentar. Mas eu também. Decidi sair. Fui. Fui para a rua, locomover-me, cruzar a colina até Alcântara. Os instintos pedem. O faro também. O calor cheirava. Fui. Fui atrás, à espreita. Fui. Fronteiras inseguras. Fui. Cercas destruídas. Fui. Desci a rua baixa, pobre, mas de laranjeiras, sombra e intermitente brisa, lembrei-me de Sevilha nos tempos em que por ali andava. Isto porque no mais cheira a meio trilho tem mesmo por ali um tão belo, como degradado, como inconsciente de si próprio prédio andaluz: duas portas abertas, duas tabernas, meti-me lá dentro, farejando os ares, demasiadas poeiras, cheiro a fritos, gorduras, falta de chá, de classe... 

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