sexta-feira, 30 de março de 2018

109.


OLHO DE GOYA

Os tempos davam tempestade

Forte em certas alturas
Da estrada
Vinhas do País Basco
Reflectindo todo o sul
Da semana passada
Depois, enquanto escolhias dois robalos
Falavas da infância, as férias 
Chegado a casa, onde pudeste assentar 
Tomaste consciência da importância de envelhecer aquelas horas
Até teres mesmo de criar um novo emprego
Para poderes ajudar este poema
Pensas na cerveja de Bilbau
Vem-te à ideia Orson Welles e os pombos correio de Euskadi
Espanha França e vice-versa
Mas sobretudo esse auto-retrato de Goya
Lembra-te bem, não se desviou de ti um átomo até ao fim da sala
Não te tirou o olhar do olhar
Trazia dito topei-te não tens escapa
E agora sabe exactamente onde estás 
Vivo
Fora da miséria.

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