terça-feira, 23 de maio de 2017






Acordar pela rua ultra-pacífica. Bairro gótico de manhã é a coisa mais pacífica. As Ramblas mantém a temperatura. O forno ainda não começou a aquecer. Entrada no Metro, duas estações, Praça da Catalunha. Já está ali um grupo de estudantes. Pede ajuda. Seguem-nos até ao autocarro. Na Plaza de Espanya um galego entope o tempo à entrada do autocarro também entupida. Entrelinha o momento em que não há nada para ninguém. Irá para não sei onde, como é óbvio. discute a minudência. Ela confirma o galego, digo que já sabia, que vai para Vigo, ela que não. É para outro lado. Diz mas eu não apanho, também não confiro. Imagino e basta. Alguma tensão pré-trabalho. Entretanto vá-lá, prosseguimos. O trânsito é nulo, a cidade da cor de uma cerveja clara. Ou pelo menos assim escrevo eu agora, esta memória remota e tão recente. Posso dar-me ao luxo de se anacrónico, posso dar-me ao luxo de dizer que não é para todos. Como todos, se eu cair de alto borco, não me posso dar ao luxo de dizer nada, fui. Hamburguer, vontades de aeroporto, perdão, aeroporto, vontades de hamburguer. Burguer King a dez euros, foda-se, pensando bem não comeriaa ali nem por cinco, mesmo depois de uma tortilha que me caiu mal em todo o avião. Na mesma pista onde antes uma frota entre outros confrontava dois Knut Hamsun quaisquer como se fosse um duelo do oeste. Norwegian Airlines. Para esses voos uma fila densa de alemães que afinal iam para outro voo como as diligências. Entre tanto esboço destacarei apenas a descida do avião por Pontevedra para logo aterrar em Vigo. Uma pista inteira só um avião e uma avioneta. Como se redescobrisse o oxigénio.